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São Luís celebra 31 anos do Festival de Boi de Zabumba com homenagens e tradição

São Luís celebra 31 anos do Festival de Boi de Zabumba com homenagens e tradição
© Instagram/ boibrilhodesjliberdade2slz

A capital maranhense, São Luís, reafirma sua vocação cultural e a vitalidade de suas tradições ao sediar, neste sábado (25), a 31ª edição do Festival de Boi de Zabumba. O evento, que tem início marcado para as 19h no Largo da Antiga Barrigudeira, no bairro Monte Castelo, é um lembrete de que a temporada do bumba meu boi no Maranhão transcende os festejos juninos, mantendo-se viva durante todo o ano.

Este festival não é apenas uma celebração, mas um importante marco na preservação de uma das mais autênticas manifestações culturais do estado. Em sua trigésima primeira edição, o evento se dedica a honrar a memória e o legado de figuras e grupos que moldaram a história do bumba meu boi, garantindo que suas raízes continuem firmes e inspiradoras para as novas gerações.

As raízes históricas do Boi de Zabumba e sua essência cultural

O sotaque de zabumba, que dá nome ao festival, é amplamente reconhecido como a manifestação mais antiga ligada ao bumba meu boi do Maranhão. Suas origens remontam ao século 18, nas fazendas e senzalas da região da Baixada Maranhense, um período que forjou a identidade cultural do estado. Este sotaque primordial é um elo direto com a história e a formação social do Maranhão, carregando em si a memória de um povo e suas lutas.

Ao longo dos séculos, a riqueza do bumba meu boi se desdobrou em diversos modos de brincar, cada um com suas particularidades rítmicas e performáticas, conhecidos como sotaques. Além do zabumba, destacam-se os sotaques de matraca, baixada, costa de mão e orquestra, cada qual contribuindo para o vasto e colorido mosaico cultural maranhense. O Festival de Boi de Zabumba, portanto, celebra não apenas um sotaque, mas a própria diversidade e resiliência dessa tradição.

Homenagens marcantes: legado e pioneirismo feminino no bumba meu boi

A edição deste ano do festival presta uma merecida homenagem a dois pilares da cultura maranhense: o Boi de Carutapera, fundado em 1965, e a folclorista Therezinha Jansen, que nos deixou em 2008. O Boi de Carutapera representa a longevidade e a força da tradição, mantendo viva a chama do bumba meu boi por décadas.

Therezinha Jansen, por sua vez, é um símbolo de pioneirismo e empoderamento. Ela foi a primeira mulher a assumir a direção de um grupo de bumba meu boi no Maranhão, liderando o renomado Boi da Fé em Deus e o Tambor de Crioula Amor de São Benedito, ambos na capital. Sua atuação abriu caminhos e inspirou muitas outras mulheres a participarem ativamente da gestão e perpetuação das manifestações culturais, quebrando barreiras em um universo tradicionalmente masculino.

A festa que reúne mais de 15 grupos e celebra a comunidade

A expectativa é de que mais de 15 grupos de bumba meu boi de todo o estado participem da festa, transformando o Largo da Antiga Barrigudeira em um palco vibrante de cores, sons e danças. Entre os participantes, o Boi Brilho de São João Liberdade 2, anfitrião do evento, terá a honra de receber outros grupos de grande relevância.

A lista de convidados inclui nomes importantes como Boi da Fé em Deus, Boi da Liberdade, Boi de Guimarães, Boi de Dona Zeca e o Boi Orgulho de Pinheiro. A presença de tantos grupos demonstra a força da comunidade do bumba meu boi e a capacidade do festival de unir diferentes sotaques e gerações em uma celebração coletiva da identidade maranhense.

Do Maranhão para o mundo: o bumba meu boi como patrimônio imaterial

A importância cultural do bumba meu boi e, por extensão, do Festival de Boi de Zabumba, é reconhecida em níveis nacional e internacional. Em 2016, o Festival de Boi de Zabumba foi agraciado com o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, concedido pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), em reconhecimento ao seu papel na preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro. O Iphan tem sido fundamental na salvaguarda de diversas manifestações.

O próprio bumba meu boi do Maranhão foi registrado como Patrimônio Cultural do Brasil em 2011, no Livro das Celebrações, e em 2019, alcançou o reconhecimento máximo ao ser declarado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco. Essas titulações sublinham a relevância global dessa manifestação, que transcende as fronteiras do Maranhão e do Brasil, sendo um tesouro da cultura mundial.

A riqueza do sotaque de zabumba: da confecção rústica aos personagens

A singularidade do sotaque de zabumba é detalhada no livro “Bumba Meu Boi no Maranhão”, do autor Américo Azevedo Neto. Ele destaca a capacidade desse sotaque de manter os saberes técnicos originais, que incluem a comédia, os personagens, o toque, os cantos e as danças, além da peculiaridade das indumentárias. Cada elemento é cuidadosamente preservado, refletindo uma tradição viva e dinâmica.

O ritmo característico é ditado pelas zabumbas rústicas, instrumentos feitos à mão com madeira retirada do mangue em datas específicas e sob a influência da lua, seguindo um ritual ancestral. Os pandeiros, por sua vez, são confeccionados com jenipapo e cobertos com couro. Os brincantes, como são chamados os participantes, assumem papéis icônicos como o amo, indígenas, rajados, vaqueiros, palhaços, pai Francisco, Catirina, e o próprio boi, cada um contribuindo para a narrativa e a magia da apresentação.

O Festival de Boi de Zabumba é mais do que um evento; é uma janela para a alma cultural do Maranhão, um convite à celebração e à valorização de um patrimônio que resiste ao tempo. Para continuar acompanhando as notícias mais relevantes e contextualizadas sobre cultura, eventos e muito mais, siga conectado ao Portal RJ99, seu portal de informação de qualidade.

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