Em uma semana marcada por turbulências institucionais e financeiras, o Corinthians se prepara para um dos confrontos mais importantes da temporada: a partida de ida das oitavas de final da Copa Libertadores da América contra o Rosario Central, da Argentina. O duelo, agendado para esta quinta-feira, às 21h30, no Estádio Gigante de Arroyito, ganha contornos dramáticos para o clube paulista, que aposta todas as suas fichas no torneio continental após uma eliminação precoce na Copa do Brasil e o agravamento de uma crise que parece não ter fim.
O cenário é de alta pressão. Enquanto o time busca a redenção em campo, a diretoria lida com as consequências da desistência da renovação de contrato com o atacante Memphis Depay, uma decisão que gerou uma dívida milionária e um clima de incerteza nos bastidores. A expectativa de ver o holandês estrear na Libertadores se transformou em mais um capítulo de uma gestão conturbada, que agora precisa focar na performance em campo para acalmar os ânimos de uma torcida exigente.
A turbulência corintiana e o adeus a Memphis Depay
A chegada de Memphis Depay a São Paulo, há pouco mais de uma semana, alimentava a esperança de que o atacante holandês, pós-Copa do Mundo, pudesse ser a peça-chave para o ataque corintiano. No entanto, o que era promessa virou problema. O presidente Osmar Stábile confirmou a desistência da renovação de contrato, impedindo a estreia do jogador e gerando uma dívida de R$ 77 milhões, além da iminente possibilidade de um processo judicial por parte do atleta.
Essa situação, inevitavelmente, repercute no elenco. Os jogadores do Corinthians, que já receberam os salários de julho com atraso, ainda aguardam pagamentos referentes a direitos de imagem e à premiação pela vaga nas oitavas da Libertadores. O meia Rodrigo Garro expressou o sentimento do grupo em coletiva de imprensa em Rosário: “Infelizmente, não poderemos ter o Memphis conosco. É uma situação difícil, que a gente não controla, mas o futebol é assim. As coisas acontecem, nós como grupo, nós como líderes temos de blindar o elenco de coisas como essas. A prioridade tem de ser o jogo”.
A ausência de Memphis desfaz o chamado “trio GYM”, que contaria com o holandês, Garro e Yuri Alberto. Para o jogo desta quinta-feira, apenas o argentino estará em campo, já que Yuri Alberto se recupera de uma lesão muscular de grau 2 na coxa direita, sofrida em 31 de julho contra o Athletico-PR. A perda de protagonistas que foram decisivos nos títulos do Paulistão e da Copa do Brasil de 2025 força o técnico Fernando Diniz a reajustar a equipe.
A aposta na Libertadores e as novas peças do ataque
Com a eliminação na Copa do Brasil e a crise institucional, a Copa Libertadores se torna a grande prioridade do Corinthians. É a chance de salvar a temporada e, talvez, amenizar a pressão sobre a diretoria e a comissão técnica. Para preencher as lacunas no ataque, Fernando Diniz tem dado mais espaço a Pedro Raul, um jogador que vinha sendo questionado, mas que demonstrou faro de gol em momentos cruciais. Ele marcou na vitória por 2 a 1 sobre o Internacional, pela Copa do Brasil, e repetiu a dose no triunfo por 2 a 0 contra o Red Bull Bragantino, pelo Brasileirão.
A justificativa do presidente Stábile para a saída de Memphis foi a “saúde financeira” do clube, uma decisão que, paradoxalmente, gerou uma dívida considerável. O Corinthians agora precisa se virar com os recursos disponíveis, confiando na capacidade do elenco atual e na estratégia do treinador para superar os desafios. A resiliência do grupo será testada ao máximo neste momento delicado, onde cada partida na Libertadores é vista como uma final.
O desafio argentino: Rosario Central e suas estrelas
Do outro lado do campo, o Rosario Central apresenta um adversário de peso, com um elenco que combina experiência e talento. A principal estrela é o meia-atacante Ángel Di María, de 38 anos, peça fundamental ao lado de Lionel Messi na conquista da Copa do Mundo pela Argentina em 2022. Di María já marcou dois gols no torneio continental, mostrando que sua qualidade técnica e liderança são ativos importantes para o time argentino.
Além de Di María, o Rosario Central conta com o atacante Jaminton Campaz, que disputou a Copa do Mundo pela Colômbia. Campaz, embora lembrado por um gol perdido nas oitavas de final contra a Suíça, que levou a ameaças de morte após a eliminação, é um jogador perigoso e com capacidade de desequilibrar. A equipe argentina, com uma base coletiva equilibrada e sólida defensivamente, teve uma campanha consistente na fase de grupos, somando 13 pontos e garantindo a segunda colocação em um grupo competitivo.
O confronto entre Corinthians e Rosario Central transcende as quatro linhas. É um embate entre um gigante brasileiro em crise e um time argentino com estrelas e solidez, onde o fator psicológico e a capacidade de superação serão tão importantes quanto a tática. A Libertadores, para o Corinthians, não é apenas um torneio; é um teste de fogo para sua resiliência e um caminho para, quem sabe, reverter o cenário caótico que o cerca. Para mais informações sobre o cenário do futebol sul-americano, acesse UOL Esporte.
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