A transição de carreira é um movimento cada vez mais comum no mercado brasileiro, mas poucos casos ilustram essa mudança com tanta clareza quanto a trajetória de Priscila Azevedo. Após cursar Relações Internacionais, ela decidiu abandonar a área acadêmica para seguir uma paixão antiga: a costura. Hoje, o negócio que começou de forma improvisada em Brazlândia, no Distrito Federal, tornou-se uma referência no setor, alcançando um faturamento mensal de cerca de R$ 80 mil.
A origem de um negócio criativo
A conexão de Priscila com o universo têxtil remonta à infância. Filha de uma trabalhadora doméstica, ela passou grande parte de seus primeiros anos observando o trabalho manual e os detalhes decorativos nas casas onde a mãe atuava. Essa vivência despertou um olhar atento para a criação, que se manifestou inicialmente na customização de suas próprias peças, mesmo sem qualquer formação técnica na época.
O ponto de virada ocorreu quando a empreendedora recebeu uma máquina de costura. A partir daí, o que era um hobby transformou-se em um projeto de vida. Determinada a profissionalizar o talento, ela buscou um curso técnico. O desempenho notável na formação abriu portas inesperadas: ela foi convidada para ser professora, descobrindo ali o prazer de ensinar e a capacidade de transformar o conhecimento técnico em uma fonte de renda e propósito.
Estrutura e expansão do empreendimento
A formalização do negócio aconteceu em parceria com o marido, Augusto Azevedo. Com um investimento inicial de R$ 10 mil — parte obtido por meio de empréstimos com alunas — o casal deu os primeiros passos para estruturar o ateliê. Posteriormente, um novo aporte de R$ 27 mil, viabilizado via cartões de crédito de familiares, permitiu a aquisição de equipamentos essenciais para elevar a qualidade do ensino oferecido.
A gestão do empreendimento é dividida de forma estratégica: enquanto Priscila foca na curadoria criativa e no desenvolvimento pedagógico, Augusto é responsável pela administração, logística e finanças. Essa divisão de tarefas foi fundamental para que o negócio ganhasse escala e permitisse que Augusto deixasse seu emprego formal para se dedicar integralmente à escola de costura.
O impacto do digital no modelo de negócio
A estratégia de crescimento do casal não se limitou ao espaço físico em Brazlândia. Desde 2018, a presença digital tornou-se o principal motor de expansão. Atualmente, a escola atende cerca de 180 alunos no formato presencial, com mensalidades em torno de R$ 450, e conta com aproximadamente 400 assinantes nos cursos online, que custam R$ 69,90 mensais.
Esse modelo híbrido permite que o negócio escale sem a necessidade de grandes investimentos em infraestrutura física. A biblioteca de cursos online funciona como uma fonte de receita recorrente, garantindo sustentabilidade financeira. Para quem deseja entender mais sobre o cenário de pequenas empresas, o Sebrae oferece orientações sobre gestão e inovação para empreendedores de diversos setores.
O sucesso de Priscila e Augusto demonstra que a união entre técnica, criatividade e uma gestão administrativa rigorosa pode transformar habilidades manuais em empresas sólidas. Sem planos para franquear a marca, o casal mantém o foco no fortalecimento do ambiente digital e na criação de um estúdio dedicado à produção de conteúdo, consolidando a escola como uma referência no ensino de costura criativa no país.
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