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Famílias sofrem com juros altos e endividamento; Novo Desenrola é a saída

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Reprodução Agência Brasil

O cenário econômico brasileiro apresenta um desafio crescente para milhões de lares: o endividamento das famílias. Pressionadas por uma combinação de juros elevados e spreads bancários que figuram entre os mais altos do mundo, as famílias brasileiras têm visto suas dívidas atingirem patamares recordes. Diante dessa realidade, o governo federal lançou o Novo Desenrola, uma iniciativa que busca oferecer um alívio financeiro e a oportunidade de renegociação para quem se encontra em situação de inadimplência.

Economistas e especialistas apontam que a taxa básica de juros, a Selic, aliada aos expressivos spreads bancários praticados pelas instituições financeiras, são os principais motores desse ciclo de endividamento. Essa dinâmica complexa não apenas dificulta o acesso ao crédito saudável, mas também compromete a capacidade de consumo e o funcionamento geral da economia.

A escalada do endividamento e a pressão dos juros

Os dados mais recentes da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) revelam uma situação alarmante: pelo quarto mês consecutivo, o total de famílias com dívidas no Brasil cresceu, alcançando 80% em abril, um novo recorde histórico. Dentro desse universo, 29,7% das famílias estavam inadimplentes, com contas em atraso, um índice que se mantém em relativa estabilidade, mas ainda muito elevado.

A situação é ainda mais crítica para as famílias de menor renda. Aqueles que ganham até três salários mínimos registram o maior nível de endividamento (83,6%) e o maior índice de contas em atraso (38,2%), conforme destacado pela CNC. Esse grupo, muitas vezes, recorre ao crédito para complementar o orçamento e cobrir despesas essenciais com saúde e o cotidiano, o que agrava a vulnerabilidade.

A professora de economia da Universidade de Brasília (UnB), Maria Lourdes Mollo, explica a relação direta entre a taxa Selic e o custo do crédito. “Os juros dos empréstimos estão muito altos. Isso tem uma relação direta, sem dúvida nenhuma, com o endividamento das pessoas, o que tem dificultado muito a economia a funcionar”, afirmou. Mollo também ressalta que a precarização dos empregos no Brasil, impulsionada por reformas trabalhistas, agrava a capacidade das famílias de honrar seus compromissos.

O enigma do spread bancário e a posição do Brasil

Um dos fatores mais controversos no cenário do crédito brasileiro é o spread bancário, que representa a diferença entre os juros que os bancos pagam para captar recursos e os juros que cobram ao emprestar aos consumidores. Em março, o spread bancário no Brasil atingiu 34,6 pontos percentuais (p.p.), um aumento significativo em relação aos 29,7 p.p. registrados no mesmo período de 2025.

Para contextualizar, o Banco Mundial estima um spread bancário médio global em torno de 6 p.p., o que coloca o Brasil em uma posição de destaque negativo. Dados da World Open Data de 2024, inclusive, apontam o Brasil como o país com as maiores taxas de spread do planeta, superando nações como República Tcheca, Sudão do Sul e Ucrânia. Essa realidade é um dos principais alvos de críticas de economistas.

A professora de economia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Juliane Furno, avalia que o endividamento das famílias pode ser explicado pelas “altíssimas” taxas do spread bancário. Ela aponta para um ciclo vicioso: “O spread é elevado, segundo os bancos, porque a inadimplência é muito alta. Ou seja, esse valor justificaria o risco. Só que posso também dizer que a inadimplência é alta porque os juros (spread) são altos”, pondera Furno.

Os dados do Banco Central de março ilustram essa disparidade: enquanto os bancos cobram das pessoas físicas uma taxa de juros média de 61% ao ano, para as empresas, a taxa média foi de 24%. O rotativo do cartão de crédito, por sua vez, lidera o ranking dos juros mais altos, podendo ultrapassar os 400% ao ano, transformando pequenas dívidas em uma verdadeira “bola de neve”, como descreve Maria Mello de Malta, professora de economia política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Novo Desenrola: um fôlego para milhões de brasileiros

Diante desse cenário desafiador, o governo federal lançou o Novo Desenrola Brasil, um programa emergencial que visa oferecer um caminho para a renegociação de dívidas. A iniciativa busca ajudar famílias, estudantes e pequenos empreendedores a limpar seus nomes e recuperar o acesso ao crédito, elementos fundamentais para a retomada da saúde financeira e a dinamização da economia.

Com duração de 90 dias, o Novo Desenrola prevê condições facilitadas, incluindo descontos que podem chegar a 90%, juros reduzidos e a possibilidade de utilizar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para o abatimento de débitos. A expectativa é que o programa libere o orçamento de muitas famílias, permitindo que elas voltem a consumir e a investir, gerando um estímulo importante para a atividade econômica nacional.

Apesar da recente redução da taxa Selic para 14,5% na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, o Brasil ainda detém a segunda maior taxa básica de juros reais do mundo, com 9,3%, atrás apenas da Rússia (9,6%), segundo o site Moneyou. Essa persistência de juros elevados, mesmo com o Banco Central justificando-os como necessários para o controle da inflação, continua a ser um ponto de intenso debate e pressão sobre a economia e, principalmente, sobre o bolso do cidadão brasileiro.

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