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Fliaraxá celebra literatura e legado de Milton Santos em Araxá

ânea, formação de leitores e desenvolvimento cultural local. Nesta edição do eve
Reprodução Agência Brasil

Araxá, cidade histórica no interior de Minas Gerais, se consolida como um vibrante centro cultural com a realização do Festival Literário de Araxá, o Fliaraxá. O evento, que se estende até o próximo domingo, oferece uma programação diversificada com mais de 50 atrações, todas dedicadas a fomentar a leitura, a reflexão contemporânea e o desenvolvimento cultural da região. Em sua edição atual, o festival propõe um mergulho profundo no tema “Meu Lugar no Mundo”, uma homenagem ao centenário de nascimento do renomado geógrafo Milton Santos, cuja obra continua a inspirar discussões sobre identidade e pertencimento.

O Fliaraxá vai além da simples exposição de livros, buscando criar um espaço de diálogo e aprendizado. A iniciativa integra a literatura com questões sociais e culturais urgentes, promovendo a formação de novos leitores e enriquecendo o cenário cultural mineiro e nacional. A entrada franca para todas as atividades no Teatro CBMM do Centro Cultural Uniaraxá reforça o compromisso do festival com a democratização do acesso à cultura e ao conhecimento, tornando-o acessível a um público amplo e diverso.

A homenagem a Milton Santos e a relevância do tema “Meu Lugar no Mundo”

A escolha de Milton Santos como patrono desta edição é um dos pilares do Fliaraxá, conectando o universo literário a discussões geográficas e sociais profundas. O geógrafo, que completaria 100 anos em 2026, é reconhecido como um dos maiores intelectuais brasileiros, comparável a figuras como Celso Furtado e Darcy Ribeiro. Sua obra transcende a geografia tradicional, fundindo-a com a sociologia para criar uma ciência social inovadora e de grande poder explicativo.

O curador do festival, Sérgio Abranches, enfatiza que o pensamento de Santos tem seu centro na noção de território e no “lugar” que cada pessoa ocupa no mundo. Essa perspectiva é fundamental para compreender como o ambiente e as relações moldam comportamentos, aspirações e interesses individuais e coletivos. O tema “Meu Lugar no Mundo” convida os participantes a uma reflexão sobre pertencimento, identidade e a complexidade das interações humanas com o espaço vivido, ressoando fortemente com os desafios contemporâneos.

Encontro de vozes: autores nacionais e internacionais no palco do Fliaraxá

O festival se destaca pela presença de um elenco de autores de grande prestígio, tanto do cenário nacional quanto internacional, enriquecendo os debates e as oportunidades de interação. Entre os nomes brasileiros, Marcelino Freire é um dos destaques, não apenas por sua premiada obra literária, mas também por sua notável atuação como professor de escrita criativa. Suas oficinas são celeiros de novos talentos, responsáveis por formar diversos autores importantes e premiados na literatura contemporânea brasileira.

Outros convidados de peso incluem a jornalista e escritora Bianca Santana, autora de “Quando me descobri negra”, que traz à tona discussões cruciais sobre identidade e representatividade. O psicólogo e escritor Alexandre Coimbra Amaral, com sua obra “Cartas de um terapeuta”, oferece perspectivas sobre a saúde mental e as relações humanas. A presença internacional é marcada pelo jornalista e escritor angolano José Eduardo Agualusa, cujas obras, como “Nação crioula” e “O vendedor de passados”, foram traduzidas para mais de vinte idiomas, ampliando o horizonte cultural dos participantes e promovendo um intercâmbio de ideias.

Fliaraxá investe na formação de novos leitores e no olhar juvenil

Um dos pilares mais importantes do legado do Fliaraxá é o concurso de redação para estudantes, que anualmente engaja a comunidade escolar de Araxá. Seguindo o tema “Meu Lugar no Mundo”, a iniciativa desafia os jovens a refletir sobre a noção de pertencimento, extrapolando o ambiente doméstico para incluir o bairro, a escola, as relações sociais e as histórias vividas, em um diálogo direto com o pensamento de Milton Santos. Sérgio Abranches destaca a alta adesão das escolas, com mais de 90% de participação voluntária, e o apoio de monitores para orientar os professores no desenvolvimento do tema.

Além do concurso, o festival promove uma exposição fotográfica singular, com imagens capturadas por alunos de 10 a 18 anos da Escola Municipal Romália Porfírio de Azevedo, localizada na periferia da cidade. Utilizando máquinas analógicas, os jovens fotógrafos oferecem ao público um olhar autêntico e sensível sobre o lugar onde vivem, suas realidades e percepções. Essa iniciativa não só valoriza a expressão artística juvenil, mas também cumpre um papel social relevante, dando voz e visibilidade a comunidades muitas vezes marginalizadas.

O Festival Literário de Araxá, com sua programação rica e seu foco na inclusão e na reflexão, reafirma a importância da cultura como ferramenta de transformação social. Para mais informações sobre a programação completa e os autores participantes, acesse o site oficial do evento: fliaraxa.com.br.

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