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Ocupação de pessoas 60+ no Brasil cresce mais que entre jovens, mas informalidade preocupa

© Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil
© Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil

O mercado de trabalho brasileiro tem testemunhado uma transformação notável na última década, com um aumento expressivo na participação de pessoas com 60 anos ou mais. Enquanto a população idosa cresce, o ritmo de sua ocupação no emprego tem superado o de outros grupos etários, incluindo os mais jovens. Contudo, essa inserção vem acompanhada de um desafio significativo: a prevalência da informalidade, que priva muitos desses trabalhadores de direitos e proteções essenciais.

Dados recentes de um estudo da empresa de pesquisa e inteligência de dados Nexus, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que o número de trabalhadores com 60 anos ou mais saltou 53% nos últimos dez anos. Este período, compreendido entre 2016 e 2025, viu o contingente de idosos no mercado passar de 5,7 milhões para quase 8,8 milhões. No mesmo intervalo, a população brasileira nessa faixa etária cresceu 37%, de 25,8 milhões para 35,2 milhões, representando atualmente 17% do total.

A ascensão da ocupação 60+ e seus contrastes

A comparação entre o crescimento da população idosa e o aumento de sua ocupação é reveladora: o emprego para pessoas com 60 anos ou mais avança em ritmo mais acelerado do que o próprio envelhecimento demográfico do país. No fim de 2025, uma em cada quatro pessoas nessa faixa etária (25%) estava ocupada, um incremento em relação aos 22% registrados em 2016 e o maior índice da década.

Em contraste, a população geral do Brasil cresceu apenas 5% no período, passando de 203,2 milhões para 212,6 milhões, enquanto o número total de empregos expandiu-se 14,6%, atingindo cerca de 103 milhões de trabalhadores. Essa dinâmica sublinha uma mudança estrutural no perfil da força de trabalho nacional, onde a experiência e a necessidade dos mais velhos ganham cada vez mais espaço.

Informalidade: o lado menos positivo da moeda

Apesar do crescimento da ocupação, o cenário para os trabalhadores 60+ não é isento de preocupações. O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, descreve a situação como um “copo meio cheio, meio vazio”. Se, por um lado, a capacidade ativa de trabalho de indivíduos com 60, 70 ou até 75 anos é motivo de celebração, por outro, a alta informalidade associada a essas vagas aponta para uma precarização do período que, idealmente, seria dedicado à aposentadoria.

O estudo da Nexus identificou que mais da metade (53%) dos trabalhadores 60+ estão na informalidade, um índice significativamente superior à média da população geral (38%) e até mesmo dos jovens de 18 a 24 anos (41%). Trabalhadores informais, conforme os critérios do IBGE, incluem empregados sem carteira assinada e autônomos sem CNPJ, que não possuem garantias como férias, décimo terceiro salário e contribuição para a Previdência Social. Essa realidade sugere que muitos idosos são compelidos a trabalhar para complementar a renda, sem a segurança e os direitos trabalhistas.

A reforma da Previdência e a extensão da vida laboral

Um dos fatores que explicam o aumento da ocupação 60+ no mercado de trabalho é a reforma da Previdência de 2019. Marcelo Tokarski aponta que as mudanças nas regras, que elevaram a idade mínima e o tempo de contribuição para a aposentadoria, forçam as pessoas a permanecerem ativas por mais tempo. A Emenda Constitucional nº 103, de 2019, passou a exigir, das mulheres, pelo menos 62 anos de idade e 15 anos de contribuição, e dos homens, 65 anos de idade e 20 anos de contribuição para se aposentar. Antes, mulheres podiam se aposentar com 60 anos, e não havia idade mínima para aposentadoria por tempo de contribuição para nenhum dos sexos. Essa alteração impactou diretamente o planejamento de vida de milhões de brasileiros.

A necessidade de se manter no mercado, muitas vezes sem a opção de escolher a vaga ideal, empurra os idosos para a informalidade. “Um público que não pode se dar ao luxo de permanecer desocupado”, avalia Tokarski, destacando a vulnerabilidade desse grupo em comparação aos jovens, que podem focar nos estudos ou prolongar a busca por uma vaga mais alinhada às suas expectativas.

Políticas públicas e inclusão geracional são urgentes

Diante desse cenário, a pesquisa da Nexus conclui que a sustentabilidade econômica do país agora depende de políticas públicas robustas. É fundamental que haja incentivos à formalização do trabalho para pessoas 60+, garantindo-lhes os direitos e a proteção social que merecem. Além disso, uma revisão urgente das estruturas corporativas é necessária, com foco em ergonomia, benefícios adequados e, sobretudo, na inclusão geracional.

A valorização da experiência e a criação de ambientes de trabalho adaptados podem transformar a participação dos idosos no mercado de uma necessidade precarizada em uma contribuição valiosa e digna. O debate sobre a “economia prateada” e o envelhecimento da população brasileira ganha, assim, uma dimensão ainda mais crítica, exigindo atenção e soluções eficazes dos setores público e privado.

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