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Pernambuco celebra a riqueza cultural da Dança do Coco com festival no Sertão do Pajeú

© Antonio Cruz/Agência Brasil
© Antonio Cruz/Agência Brasil

Pernambuco, um estado de rica tapeçaria cultural, celebrou o Dia Estadual da Dança do Coco, uma manifestação afro-indígena secular que ressoa em diversas regiões do Brasil. Para marcar a data, a cidade de Afogados da Ingazeira, localizada no Alto Sertão do Pajeú, foi palco do Primeiro Festival de Coco da cidade, um evento que destacou a vitalidade e a importância dessa tradição.

O festival, que se estendeu por vários dias, teve como anfitrião o renomado grupo Coco Negras e Negros, da comunidade quilombola do Leitão da Carapuça. A iniciativa não apenas celebrou a dança, mas também promoveu a valorização das raízes culturais e a integração comunitária, reafirmando o compromisso do estado com a preservação de seu patrimônio imaterial.

Uma programação diversificada no coração do Sertão

A programação do festival foi cuidadosamente elaborada para envolver diferentes públicos e destacar as múltiplas facetas da Dança do Coco. Em um dos dias mais movimentados, a antiga Estação Ferroviária da cidade se transformou em um palco vibrante para diversas apresentações. Além dos anfitriões, o público pôde prestigiar o Samba de Coco Cachoeira da Onça, vindo da cidade de Custódia, demonstrando a abrangência regional da manifestação.

As homenagens também tiveram seu espaço, com o tributo “Amigos do Coco”, que contou com a participação do Grupo de dança “Raízes em Movimento”, do Grupo de Coco “Eu Não Tenho Amor” e da Batucada Feminista do Pajeú. O evento na Estação Ferroviária foi além da música e da dança, oferecendo aos presentes a oportunidade de degustar comidas quilombolas, um elo direto com a ancestralidade e a culinária local. Ações de reflorestamento e doação de mudas de plantas da caatinga complementaram a experiência, conectando a cultura à sustentabilidade ambiental.

O encerramento na comunidade quilombola e o Patrimônio Vivo

O ponto alto das celebrações ocorreu na própria comunidade quilombola do Leitão da Carapuça, local de origem e resistência cultural. As apresentações finais contaram com a energia contagiante do Coco Toype do Ororubá, da cidade de Pesqueira, que trouxe sua própria interpretação e estilo para a roda de coco.

O encerramento foi marcado pela performance do Coco Negras e Negros, o grupo anfitrião que detém o prestigiado título de Patrimônio Vivo do Estado de Pernambuco. Este reconhecimento sublinha a importância do grupo na salvaguarda e transmissão da Dança do Coco para as futuras gerações, servindo como um farol para a cultura afro-brasileira no estado.

Raízes e reconhecimento: a importância da Dança do Coco

A celebração do Dia Estadual da Dança do Coco não se limitou aos palcos e rodas de dança. Integrantes dos grupos de Coco realizaram oficinas de dança em escolas da rede pública de Afogados da Ingazeira, garantindo que o conhecimento e a prática dessa arte sejam transmitidos aos mais jovens. Essa iniciativa é crucial para a continuidade e renovação da tradição, inserindo-a no cotidiano das novas gerações.

O Dia Estadual da Dança de Coco foi criado em 2009 em Pernambuco, com o objetivo de reconhecer a pluralidade e a importância das várias vertentes dessa manifestação cultural. Entre elas, destacam-se o Coco de Roda, o Coco de Embolada e o Samba de Coco. A data também homenageia os produtores, artistas, brincantes, mestres e técnicos que, de alguma forma, dedicam-se a essa expressão cultural afro-brasileira, garantindo que suas raízes profundas continuem a florescer e inspirar. Para saber mais sobre as manifestações culturais do Brasil, visite Agência Brasil.

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