No coração do Rio Grande do Norte, uma fruta tão tradicional quanto o caju ganhou novos contornos e sabores pelas mãos da empresária Sahonara Suzane. Com uma visão inovadora e um investimento inicial modesto, ela transformou a matéria-prima regional em um portfólio de mais de 60 produtos, construindo um negócio que hoje alcança um faturamento mensal de cerca de R$ 100 mil. A trajetória da empresa, sediada em Natal, é um exemplo de como a criatividade e a persistência podem redefinir mercados e valorizar ingredientes locais.
A história de sucesso da empreendedora é um testemunho da capacidade de inovar em setores consolidados. De castanhas tradicionais a pastas gourmet, doces, farinhas e até produtos sazonais como panetones e ovos de Páscoa, o caju se tornou o protagonista de uma linha diversificada que cativa consumidores e turistas, consolidando a marca como referência no estado.
Da engenharia ao empreendedorismo com o caju
A inspiração para o negócio de Sahonara Suzane remonta à sua infância, observando o pai que comprava castanhas no interior e as revendia na capital. Apesar dessa raiz familiar no comércio, Sahonara seguiu um caminho diferente, formando-se em engenharia e atuando em uma grande empresa. Contudo, em 2020, um ponto de virada pessoal a impulsionou para o mundo do empreendedorismo: o desligamento do marido do emprego abriu a oportunidade para o casal investir em um sonho próprio.
Com a frase “você quer realizar o meu sonho?”, Sahonara convenceu o marido a embarcar na jornada. Inicialmente, com R$ 12 mil, tentaram replicar o modelo tradicional de venda de castanhas, mas a abordagem de porta em porta encontrou forte resistência. “Eu fui porta a porta e só recebi ‘não’”, lembra a empresária, destacando os desafios iniciais e a necessidade de uma nova estratégia.
A virada estratégica na pandemia e a pasta de castanha
A pandemia de COVID-19, que para muitos representou um período de incertezas, foi o catalisador para a profissionalização do negócio. Em vez de desistir, o casal decidiu reestruturar a operação. “Vamos abrir CNPJ, criar marca, comprar seladora e fazer um negócio diferente”, planejaram. A aposta no delivery, ainda incipiente no setor de castanhas na época, foi crucial para impulsionar as vendas e alcançar um público mais amplo.
Com a operação ganhando fôlego, a empresa buscou a diferenciação. A primeira mudança visível foi na apresentação dos produtos, com embalagens mais atraentes. No entanto, o verdadeiro divisor de águas foi a criação da pasta de castanha de caju. “A gente se reinventou com a pasta de castanha de caju, que hoje é o nosso carro-chefe”, afirma Sahonara. Esse produto abriu as portas para uma explosão de criatividade, expandindo o portfólio para mais de 60 itens fixos, sem contar as variações sazonais que podem ultrapassar 100.
Diversidade de produtos e parcerias regionais
O catálogo da empresa é vasto e surpreendente, mostrando a versatilidade do caju. Inclui desde as tradicionais castanhas, em versões naturais e caramelizadas, até pastas de castanha em diversos sabores como flor de sal, chocolate, pistache e tâmara. A linha se estende a doces de caju em tablete e em calda, farinha de castanha e, em épocas específicas, panetones e ovos de Páscoa, demonstrando a capacidade de adaptação e inovação do negócio.
A expansão não se limitou à diversificação de produtos. A empresa também firmou importantes parcerias com produtores da agricultura familiar, especialmente na região da Serra do Mel, conhecida pela produção de caju. “Firmamos uma parceria muito boa com uma família da agricultura familiar. Eles produzem doce de caju e a gente usa o caju como protagonista”, explica a empresária. Essa estratégia não apenas fortalece a cadeia produtiva local, mas também reforça a identidade regional do negócio, que eleva o caju a um símbolo do estado.
Experiência do cliente e planos de futuro
Um dos pilares do sucesso da empresa é o foco na experiência do consumidor. Nas lojas físicas, localizadas em Natal, a degustação é um convite à descoberta. Sahonara revela que muitos dos novos produtos nasceram da escuta atenta aos clientes, uma estratégia que não só fideliza, mas também aumenta o ticket médio. “Noventa por cento dos clientes novos vêm procurando castanha tradicional, mas, quando experimentam, acabam levando mais produtos”, comenta.
Atualmente com três lojas em Natal, a empresa atende turistas, moradores e o setor hoteleiro com produtos personalizados. Os planos futuros, no entanto, não preveem a abertura de mais unidades físicas no curto prazo. A visão é mais ambiciosa: “Não está nos nossos planos abrir mais lojas físicas. Daqui a uns três anos, provavelmente vamos adotar o modelo de franquia”, projeta Sahonara. O objetivo principal é expandir verticalmente a indústria, buscando ser uma referência nacional e iniciar a exportação em até dois anos. Para a empreendedora, o crescimento é impulsionado por um foco inabalável: “É um amor, é uma paixão mesmo. Não tem plano B”, conclui, ressaltando que o negócio, embora inspirado nas origens familiares, é uma criação autêntica e inovadora.
Para saber mais sobre a empresa e seus produtos, acesse o site oficial: www.sigacajumel.com.br.
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