
A Copa do Mundo de futebol tem sido palco de histórias de superação e talentos emergentes, e uma delas vem da República Democrática do Congo. O atacante Yoane Wissa, um dos nomes mais comentados do torneio, não apenas conduziu sua seleção à segunda fase, mas também se consolidou como uma peça valiosa no cenário europeu, a ponto de ter deixado o brasileiro Igor Thiago, também presente no Mundial, no banco de reservas em sua antiga equipe.
A façanha dos africanos, impulsionada pelos pés de Wissa, não é uma surpresa para quem acompanha o futebol inglês. Sua trajetória, marcada por dedicação e uma conexão profunda com suas raízes, revela um atleta que transcende as quatro linhas, usando o esporte como plataforma para dar voz às questões de seu país.
A ascensão de um talento congolês com raízes na França
Nascido na França, Yoane Wissa tomou uma decisão precoce e significativa: honrar a terra de seus pais e defender a República Democrática do Congo. Em 2014, ainda no início de sua carreira profissional pelo modesto Châteauroux, da Terceira Divisão francesa, ele informou à federação congolesa, via Facebook, que estava disponível para ser convocado. Esse gesto demonstrava não apenas seu desejo de representar a nação, mas também a crença em um futuro promissor, mesmo vindo de um contexto menos badalado do futebol europeu.
Aos 29 anos, Wissa finalmente teve a oportunidade de disputar a Copa do Mundo e não decepcionou. Sua performance foi crucial para a classificação da RD Congo, que garantiu o mata-mata após o terceiro lugar no Grupo K. O atacante balançou as redes no empate com Portugal e marcou outros dois gols contra o Uzbequistão, na vitória por 3 a 1, neste domingo. “Estou muito emocionado. Isso é uma loucura…”, resumiu o jogador, expressando a intensidade do momento.
Trajetória na Europa e o mercado milionário
A ascensão de Wissa no futebol europeu é notável. Atualmente no Newcastle, para onde se transferiu há um ano, o atacante teve sua negociação avaliada em torno de R$ 400 milhões (equivalente a 55 milhões de libras). Essa quantia não apenas se tornou a maior transferência da história de um jogador congolês, mas também o colocou no top 10 entre todos os atletas africanos, evidenciando seu alto valor de mercado e o reconhecimento de seu talento.
Antes de chegar ao Newcastle, Wissa brilhou no Brentford entre 2021 e 2025, onde chegou a ser escalado na vaga de Igor Thiago, o atual centroavante da Seleção Brasileira. Contudo, sua saída do clube inglês foi marcada por controvérsias. O jogador criticou publicamente o que considerou um “leilão” de seu passe pela diretoria, que teria aumentado seu valor de mercado diversas vezes. Em protesto, ele chegou a apagar fotos com a camisa do Brentford de suas redes sociais.
Já no Newcastle, a primeira temporada de Wissa não foi tão brilhante quanto o esperado, em parte devido a uma lesão. A expectativa é que ele ganhe mais espaço na Premier League a partir de agosto, mostrando todo o seu potencial e justificando o investimento milionário.
Quase um jogador de rúgbi: a escolha pelo futebol
A história de Wissa no futebol por pouco não foi diferente. Crescendo na França, ele desenvolveu interesse e habilidade para o rúgbi, esporte popular no país, apesar de sua estatura de 1,76m. No entanto, a paixão pela bola redonda e a influência da família e de treinadores de base o convenceram a seguir no futebol. A recompensa veio cedo: aos 21 anos, ele já defendia o Lorient e marcava gols na elite francesa, acumulando 37 gols em 128 partidas.
Mais do que um atleta, Wissa é um porta-voz de seu povo. Após seu primeiro gol na Copa, ele fez questão de mencionar as dificuldades enfrentadas pela população congolesa, que vive em estado de alerta devido a uma guerra civil no leste do território. “É muito difícil a situação lá em nossa casa. Há uma guerra. Isto (futebol) significa o mundo para eles. É um povo que trabalha muito e por isso estou muito feliz por eles. Só rezo por paz e o melhor para eles”, destacou, usando sua visibilidade para chamar atenção para a causa humanitária.
A República Democrática do Congo agora se prepara para um desafio ainda maior, enfrentando a Inglaterra na quarta-feira, em Atlanta, em busca de um feito grandioso neste Mundial. A jornada de Yoane Wissa é um lembrete do poder do esporte em inspirar e unir, especialmente em contextos de adversidade.
Para continuar acompanhando as histórias inspiradoras e as últimas notícias do mundo do esporte e de outros temas relevantes, mantenha-se conectado ao Portal RJ99. Nosso compromisso é trazer informação de qualidade, contextualizada e que realmente importa para você.