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Câmara avança com PEC que cria fundos regionais para Sul e Sudeste

© Bruno Spada/Câmara dos Deputados
© Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Nova estrutura de financiamento regional

Uma Comissão Especial da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quinta-feira (2), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 231/2019, que estabelece a criação de fundos constitucionais voltados especificamente para as regiões Sul e Sudeste. A medida, que busca equilibrar o desenvolvimento nacional, também prevê um incremento de um ponto percentual nos repasses da União ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

A proposta, relatada pelo deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), visa permitir que produtores rurais e gestores municipais dessas regiões tenham acesso a linhas de crédito com taxas de juros reduzidas. O objetivo é fomentar projetos de infraestrutura e iniciativas produtivas que impulsionem a economia local, seguindo o modelo já existente para outras regiões do país.

Impacto financeiro e cronograma de implementação

Segundo estimativas apresentadas pelo relator, a implementação dos novos fundos e o reajuste no FPM devem gerar um impacto financeiro total de R$ 49,67 bilhões em um período de dois anos. O cronograma prevê um aporte de R$ 16,0 bilhões em 2027, saltando para R$ 33,6 bilhões em 2028. Até o momento, o Ministério da Fazenda não emitiu um posicionamento oficial sobre os reflexos orçamentários da proposta.

Para viabilizar o Fundo da região Sul, a PEC destina 1% da arrecadação da União proveniente do Imposto de Renda (IR), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Imposto Seletivo (IS). O mesmo percentual é reservado para o Sudeste, com uma aplicação escalonada: 0,5% a partir de janeiro de 2027 e os 0,5% restantes a partir de janeiro de 2028.

Desigualdades dentro das regiões desenvolvidas

Um dos pontos centrais do debate é a necessidade de combater bolsões de pobreza que persistem mesmo em áreas com indicadores econômicos elevados. O deputado Arnaldo Jardim destacou que regiões como os vales do Jequitinhonha, Mucuri e Ribeira, além de periferias metropolitanas no Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, ainda enfrentam precariedade severa em infraestrutura básica.

O relator enfatizou que a criação desses mecanismos não representa uma retirada de recursos de outras regiões brasileiras. A lógica é garantir uma política de desenvolvimento mais isonômica, reconhecendo que a desigualdade no Brasil não se limita a fronteiras macrorregionais, mas atinge municípios específicos que possuem baixa capacidade de arrecadação própria.

Fortalecimento da autonomia municipal

Além dos fundos regionais, a PEC propõe um reforço direto ao FPM, com o repasse adicional de 1 ponto percentual da arrecadação dos tributos federais mencionados, a ser efetuado anualmente no mês de março. A medida é vista como um alívio para cidades de pequeno porte, que dependem fortemente dessas transferências para manter serviços essenciais de saúde, educação e assistência social.

Para que a proposta entre em vigor, o texto ainda precisa passar pelo crivo do plenário da Câmara dos Deputados e, posteriormente, ser analisado pelo Senado Federal. O acompanhamento detalhado dessa tramitação é fundamental para entender como o pacto federativo será redesenhado nos próximos anos. Para se manter informado sobre as decisões que impactam a economia e a política nacional, continue acompanhando o Portal RJ99, seu canal de confiança para notícias com profundidade e credibilidade.

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