A capital baiana, Salvador, torna-se palco de uma celebração vibrante da cultura e identidade negra com a realização do Festival Julho das Pretinhas. O evento, que se estende a partir desta segunda-feira (20) até o próximo sábado (25), integra as ações do Julho das Pretas, movimento nacional que destaca a importância da mulher negra latino-americana e caribenha. Com foco na literatura, infância, juventude e empoderamento, o festival propõe uma imersão em narrativas e expressões artísticas que fortalecem a autoestima e a representatividade das crianças e jovens negros.
Contexto e relevância do Julho das Pretas
O Festival Julho das Pretinhas chega à sua sétima edição com um tema central que ressoa profundamente na sociedade contemporânea: “imaginação, criatividade e criação para a construção das identidades infantis pretas”. Este enfoque não é aleatório; ele se alinha à proposta maior do Julho das Pretas, que anualmente, em todo o país, promove debates, ações e reflexões sobre a vida e a luta das mulheres negras. A data de 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, é um marco para essa mobilização, que busca dar visibilidade às pautas e desafios enfrentados por essa parcela da população, além de celebrar suas conquistas e contribuições históricas. Em Salvador, cidade com forte herança africana, a iniciativa ganha ainda mais significado, reforçando a importância de valorizar e preservar a cultura afro-brasileira desde a infância.
Festival Julho das Pretinhas: um palco para a identidade
A programação do Festival Julho das Pretinhas foi cuidadosamente elaborada para oferecer uma experiência rica e multifacetada. Inclui encontros com autores, leituras dramatizadas, oficinas formativas, exposições e diversas apresentações artísticas. O objetivo é criar um ambiente onde a imaginação floresça e a criatividade seja estimulada, permitindo que as crianças e jovens negros se vejam representados e construam uma identidade positiva e empoderada. A literatura infantojuvenil, em particular, desempenha um papel crucial nesse processo, oferecendo espelhos e janelas para mundos diversos, onde a negritude é celebrada e valorizada.
Destaques da programação: de Maria Felipa aos Griots
A agenda do festival é repleta de momentos marcantes. Já na segunda-feira (20), a Biblioteca Monteiro Lobato abriu suas portas para uma tarde especial. Um dos pontos altos foi a Leitura Dramatizada “Maria Felipa”, uma emocionante homenagem à heroína baiana que desempenhou um papel fundamental na luta pela Independência da Bahia e do Brasil. Sua história de coragem e resistência é um poderoso exemplo de protagonismo negro na história do país. A tarde seguiu com a contação de histórias da escritora e professora de artes Paula Brito, conhecida por sua literatura infantojuvenil, e o “Falas Pretinhas”, um encontro inspirador com autores infantis da Coleção Linguinha de Dendê, que promove a diversidade e a representatividade nas obras para crianças.
Na quinta-feira, a Biblioteca Monteiro Lobato novamente será o cenário para mais atividades. A partir das duas da tarde, o público poderá conferir a exposição “Pretinhas Brincantes”, que promete encantar com suas cores e narrativas visuais. Em seguida, a apresentação da Griot Yaya, com a participação do Bonde da Calu, trará a riqueza da tradição oral africana. Os griots são contadores de histórias, poetas e músicos que, em muitas culturas africanas, são guardiões da memória e do conhecimento ancestral, transmitindo valores e ensinamentos através de suas performances.
A Mostra Julho das Pretinhas e o legado cultural
O encerramento do Festival, no sábado (25), será marcado pela Mostra Julho das Pretinhas. A partir das 15h, o Teatro Sesi Casa Branca receberá uma série de trabalhos artísticos que abrangem teatro, dança e literatura cantada. Essas produções são resultado de iniciativas realizadas em escolas públicas ou comunitárias, evidenciando o talento e a criatividade de crianças e jovens, além do impacto positivo que a arte tem na formação educacional e cultural. A mostra não apenas celebra a produção artística, mas também reforça o papel da escola como espaço de promoção da cultura e da identidade.
Com uma programação inteiramente gratuita, o Festival Julho das Pretinhas reafirma o compromisso de Salvador com a valorização da cultura e da história afro-brasileira, especialmente para as novas gerações. Para conferir todos os detalhes e acompanhar as novidades do evento, o público pode acessar o perfil @julhodaspretinhas no Instagram. O Portal RJ99 segue acompanhando de perto as iniciativas que promovem a diversidade e o empoderamento em todo o país, trazendo sempre informação relevante e contextualizada para você.