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Desigualdade no mercado de trabalho: desemprego de pretos é 55% maior que o de brancos

conta própria têm as maiores jornadas no país. A revelação faz parte da Pesquisa
Reprodução Agência Brasil

A desigualdade racial no Brasil segue como um dos maiores desafios estruturais para a economia nacional. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, divulgada nesta quinta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que a taxa de desemprego entre pessoas pretas atingiu 7,6% no primeiro trimestre de 2026. O índice supera significativamente a média nacional de 6,1% e é 55% superior ao registrado entre a população branca, que se manteve em 4,9%.

O cenário aponta para um agravamento da disparidade em comparação aos períodos anteriores. No último trimestre de 2025, essa diferença era de 52,5%, enquanto nos primeiros três meses do ano passado situava-se em 50%. A série histórica, iniciada em 2012, mostra que o hiato entre brancos e pretos no acesso ao trabalho permanece um obstáculo persistente, com o pico de desproporção atingindo 69,8% durante o auge da pandemia de covid-19, no segundo trimestre de 2020.

Desigualdade estrutural e o mercado de trabalho

A análise dos dados do IBGE também destaca a situação da população parda, que enfrenta um desemprego de 6,8%, patamar 38,8% maior que o verificado entre brancos. Para o analista da pesquisa, William Kratochwill, a persistência dessas taxas desiguais reflete um problema de natureza estrutural. Segundo o especialista, a cor da pele atua como um marcador, mas a disparidade é composta por múltiplos fatores, como o nível de instrução alcançado e a localização geográfica onde o indivíduo reside.

Kratochwill ressalta que, para compreender a raiz dessas diferenças, é necessário avançar em estudos que cruzem diversas variáveis socioeconômicas. A complexidade do mercado de trabalho brasileiro exige uma leitura que vá além da identificação por raça ou cor, observando como o histórico de oportunidades e o acesso à educação formal moldam a trajetória profissional de diferentes grupos populacionais ao longo das décadas.

Informalidade atinge mais pretos e pardos

Além da dificuldade de inserção no mercado formal, a Pnad aponta que pretos e pardos estão mais expostos à informalidade. O IBGE classifica como informais os trabalhadores sem carteira assinada, autônomos e empregadores sem CNPJ. Enquanto a média nacional de informalidade é de 37,3%, o recorte por cor revela que 40,8% dos pretos e 41,6% dos pardos ocupados estão nessas condições, contra 32,2% dos brancos.

Essa vulnerabilidade significa que uma parcela expressiva da população negra no Brasil trabalha sem garantias fundamentais, como seguro-desemprego, férias remuneradas ou o recebimento do 13º salário. A precariedade do vínculo empregatício reflete diretamente na instabilidade financeira das famílias e na dificuldade de ascensão social, perpetuando ciclos de desigualdade que o país tenta romper através de políticas públicas e debates sobre equidade.

Recortes de gênero e faixa etária

O levantamento também trouxe luz sobre as diferenças entre homens e mulheres. A taxa de desocupação feminina, que chegou a 7,3% no primeiro trimestre de 2026, é 43,1% maior que a masculina, que ficou em 5,1%. Curiosamente, ao observar a informalidade, o cenário se inverte: os homens apresentam uma taxa maior (38,9%) do que as mulheres (35,3%), sugerindo dinâmicas distintas de ocupação no mercado de trabalho.

No que diz respeito à idade, o grupo de 14 a 17 anos enfrenta o maior desafio, com uma taxa de desemprego de 25,1%. Segundo o IBGE, esse público tende a aceitar trabalhos temporários e instáveis como forma de ingressar no mercado e construir currículo. Em contrapartida, a população com 60 anos ou mais apresenta a menor taxa de desocupação, 2,5%, refletindo, em grande parte, o processo de saída gradual do mercado de trabalho ativo.

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