PUBLICIDADE

Granja Comary: a história e as polêmicas da ‘casa’ da Seleção Brasileira

Buda Mendes/Getty Images
Buda Mendes/Getty Images

A Seleção Brasileira se prepara para um novo ciclo de desafios, e o palco escolhido para o início dessa jornada é um velho conhecido: a Granja Comary. O centro de treinamentos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), localizado em Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, receberá os jogadores convocados por Carlo Ancelotti para a preparação da Copa do Mundo. Após as atividades de 2022 terem sido realizadas em Turim, na Itália, a volta ao solo brasileiro para os primeiros treinos marca um reencontro com um local carregado de história e curiosidades.

Os atletas se apresentarão nesta quarta-feira, 27 de maio, no icônico complexo. A agenda prevê três sessões de treinamento intensivo antes de um compromisso importante: o amistoso contra o Panamá, que acontecerá no domingo, 31 de maio, no lendário Maracanã. Este confronto não será apenas um teste tático, mas também a despedida da Seleção Brasileira do país antes do embarque rumo aos Estados Unidos, onde darão continuidade à preparação para o mundial.

Granja Comary: o retorno da Seleção e a preparação para a Copa

A escolha da Granja Comary para esta fase inicial de treinos ressalta a importância estratégica e simbólica do local para o futebol nacional. A infraestrutura de ponta e o ambiente tranquilo de Teresópolis oferecem as condições ideais para que a equipe se concentre e aprimore seu desempenho. A presença do técnico Carlo Ancelotti à frente do grupo adiciona uma camada de expectativa, com a torcida brasileira atenta a cada passo da preparação.

Os três dias de atividades na Granja serão cruciais para a integração do elenco e para a implementação das primeiras ideias táticas do treinador. O amistoso no Maracanã, por sua vez, servirá como um termômetro para a equipe, além de proporcionar um último contato com a torcida em solo nacional antes da viagem para a Copa do Mundo.

Raízes históricas em Teresópolis: da família Guinle a Renato Aragão

Embora a inauguração oficial da Granja Comary como a conhecemos hoje tenha ocorrido em 1987, a conexão da Seleção Brasileira com Teresópolis é bem mais antiga, remontando a duas décadas antes. Em 1966, figuras como o Almirante Heleno Nunes e João Havelange já haviam decidido levar Pelé e seus companheiros para a cidade serrana, visando a preparação para a Copa do Mundo daquele ano, disputada na Inglaterra.

O terreno onde hoje se ergue a Granja Comary tem uma história fascinante de proprietários. Na década de 1930, o local pertencia a uma influente família carioca, liderada por Carlos Guinle, que desenvolveu um bairro na região. A família Guinle, aliás, era a mesma responsável pela construção do luxuoso hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, o que demonstra o prestígio e a visão empreendedora de seus membros.

Um dos grandes atrativos de Teresópolis, que justificou a escolha para o centro de treinamento, é o seu clima ameno. Localizada na Região Serrana do Rio, a cidade oferece um refúgio do calor intenso da capital, proporcionando um ambiente mais agradável e propício para o treinamento de atletas de alto rendimento. Entre a posse de Carlos Guinle e a aquisição pela CBF, a Granja Comary teve um proprietário bastante inusitado: o humorista Renato Aragão, que deteve o espaço por quatro anos na década de 1980, antes de vendê-lo à Confederação.

A inauguração polêmica e o legado de uma ‘casa’

A inauguração da Granja Comary, em 1987, não foi isenta de controvérsias. Na época, José Sarney era o presidente do Brasil, mas não compareceu ao evento, sendo representado pelo professor Manoel Tubino. A ausência presidencial abriu espaço para que outra figura se destacasse, gerando um episódio que ficou marcado na memória da imprensa.

O ex-presidente Ernesto Geisel acabou se tornando a figura mais conhecida presente e foi quem cortou a faixa inaugural. No entanto, o ato foi cercado de polêmica. Conforme noticiado na capa do jornal O Estado de S. Paulo no dia seguinte, o militar teria se adiantado em meio a um empurra-empurra, passando à frente de Octávio Pinto Guimarães, então presidente da CBF, para realizar o corte da faixa ao lado da viúva do Almirante Heleno Nunes. Este incidente, embora menor, ilustra a complexidade e os bastidores que muitas vezes cercam eventos de grande visibilidade nacional.

Teresópolis: além da Granja Comary, um tributo imperial

A cidade de Teresópolis, além de ser a ‘casa’ da Seleção Brasileira, possui outras curiosidades históricas. Seu nome é uma homenagem à imperatriz Teresa Cristina, esposa do imperador Dom Pedro II. A imperatriz era uma grande apreciadora da região, que frequentava assiduamente devido ao clima agradável e às belas paisagens, o que a levou a ser eternizada no nome do município. Essa conexão com a realeza brasileira adiciona mais um capítulo à rica tapeçaria histórica da região.

A Granja Comary, portanto, é muito mais do que um simples centro de treinamento. É um repositório de memórias, um símbolo do futebol brasileiro e um ponto de partida para os sonhos de milhões de torcedores. Sua história, que se entrelaça com a de figuras ilustres e momentos decisivos, continua a ser escrita a cada nova convocação e a cada chute a gol.

Para continuar acompanhando de perto os desdobramentos da preparação da Seleção Brasileira e outras notícias relevantes, atuais e contextualizadas, siga o Portal RJ99. Nosso compromisso é com a informação de qualidade e a variedade de temas que importam para você.

Leia mais

PUBLICIDADE