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Igp-m recua 0,5% em junho com queda de combustíveis e café, trazendo alívio ao consumidor

© Rovena Rosa/Agência Brasil
© Rovena Rosa/Agência Brasil

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), amplamente conhecido como a “inflação do aluguel”, registrou uma deflação de 0,5% em junho, marcando a primeira queda desde fevereiro deste ano. Este recuo nos preços, que significa que, em média, os produtos e serviços ficaram mais baratos, foi impulsionado principalmente pela redução nos valores de combustíveis como gasolina e etanol, além do café. A notícia, divulgada nesta segunda-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), traz um respiro para o orçamento das famílias brasileiras.

A deflação de junho surpreendeu o mercado financeiro, que, conforme o relatório Focus do Banco Central (BC), projetava um índice de 0,03% para o mês. Em um cenário de incertezas econômicas, a reversão da tendência de alta observada em meses anteriores é um dado relevante. No acumulado dos últimos 12 meses, o IGP-M soma 3,16%, enquanto no primeiro semestre de 2026, o indicador registra 3,27%.

Deflação em junho: um respiro para o orçamento familiar

A queda de 0,5% no IGP-M em junho contrasta com o aumento de 0,84% registrado em maio e a alta expressiva de 2,73% em abril, que foi impactada pela guerra no Oriente Médio. Em março, o índice havia marcado 0,52%, e em fevereiro, uma deflação de 0,73%. Comparativamente, em junho de 2025, o índice já havia apresentado uma deflação ainda maior, de -1,67%.

Para o consumidor, a deflação do IGP-M é uma notícia positiva, especialmente para aqueles que têm contratos de aluguel reajustados por este índice. Embora o impacto direto nos reajustes seja sentido com o acumulado de 12 meses, a tendência de queda pode sinalizar um cenário mais favorável para futuras negociações e para o poder de compra geral, aliviando a pressão sobre os gastos diários.

Commodities e safras: o cenário por trás da queda dos preços

O economista da FGV, Matheus Dias, explicou que a redução nos preços de commodities energéticas e minerais foi um fator crucial para a deflação. Segundo ele, esses valores convergiram para patamares observados antes de março deste ano, período anterior ao recrudescimento da guerra no Oriente Médio, que havia provocado elevações significativas.

No setor agrícola, as principais safras do ano têm apresentado resultados positivos, garantindo uma maior oferta de produtos no mercado. Essa abundância se reflete na queda dos preços de itens importantes como a cana-de-açúcar e o café em grãos. Conforme Dias, parte dessa redução nos preços ao produtor tem sido repassada diretamente ao consumidor final, impactando a gasolina, o etanol e o café em pó.

Para mais detalhes sobre o comportamento dos preços, você pode consultar a notícia original da Agência Brasil.

Os pesos do IGP-M: IPA, IPC e INCC em destaque

A metodologia da FGV para apurar o IGP-M considera três componentes principais, cada um com um peso específico na composição do índice final. O de maior relevância é o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede a variação de preços no atacado e responde por 60% do IGP-M. Em junho, o IPA registrou uma deflação expressiva de 0,97%, sendo o principal motor da queda do índice geral.

O segundo componente é o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que reflete a inflação sentida diretamente pelo consumidor final e tem um peso de 30% no IGP-M. Em junho, o IPC apresentou uma alta de 0,47%, uma elevação menor em comparação com o mês anterior, quando havia subido 0,61%. Por fim, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que representa 10% do índice, variou positivamente em 0,85% no mês.

Produtos que impulsionaram a deflação e seus impactos

A análise detalhada dos componentes revela quais produtos e serviços mais contribuíram para o recuo do IGP-M. No IPA, a deflação foi puxada por itens como o minério de ferro (-2,61%), o café em grão (-9,69%), o óleo diesel (-6,18%), o farelo de soja (-2,98%) e a cana-de-açúcar (-1,88%). A queda desses insumos e matérias-primas no atacado tem um efeito cascata sobre a cadeia produtiva.

Já no IPC, que impacta diretamente o bolso do consumidor, as principais quedas foram observadas na gasolina (-1,29%), no etanol (-5,61%), no café em pó (-2,57%), na maçã (-3,75%) e no leite tipo longa vida (-0,80%). A redução nos preços dos combustíveis é particularmente sentida pelos motoristas e no custo do transporte, enquanto a diminuição no preço do café e do leite alivia o orçamento doméstico de itens básicos.

O IGP-M além do aluguel: reajustes e a vida do brasileiro

A alcunha de “inflação do aluguel” para o IGP-M não é por acaso. O acumulado de 12 meses deste índice serve tradicionalmente como base para o reajuste anual de milhões de contratos imobiliários em todo o país. Além disso, o IGP-M é um indexador importante para o reajuste de diversas tarifas públicas, como as de energia elétrica e telefonia, e de outros serviços essenciais, influenciando diretamente o custo de vida dos brasileiros.

A coleta de preços para o cálculo do IGP-M é realizada em sete capitais brasileiras: Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. O período de levantamento para o índice de junho foi de 21 de maio a 20 de junho, garantindo uma fotografia recente das variações de preços na economia nacional.

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