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Receita Federal aponta cartorários com maior patrimônio médio no IR 2026

© José Cruz/Agência Brasil/Arquivo
© José Cruz/Agência Brasil/Arquivo

O perfil da riqueza declarada no Brasil

Os titulares de cartório ocupam o topo da lista de contribuintes com o maior patrimônio médio declarado no Imposto de Renda 2026. De acordo com os novos painéis estatísticos disponibilizados pela Receita Federal na última quinta-feira (2), esse grupo específico apresenta uma média de bens declarados de R$ 3,28 milhões. O valor contrasta significativamente com a média nacional, que ficou em R$ 409 mil por contribuinte.

A divulgação desses dados marca um avanço na transparência fiscal do país. Pela primeira vez, o órgão permite que a sociedade consulte informações detalhadas por profissão, faixa de renda, localização geográfica e outros recortes demográficos. A iniciativa visa oferecer subsídios para pesquisas acadêmicas, formulação de políticas públicas e uma compreensão mais clara sobre a distribuição de riqueza entre as diferentes ocupações profissionais no Brasil.

Setores com maior acúmulo de bens

Além dos titulares de cartório, o ranking de patrimônio médio reflete a concentração de renda em carreiras de elite e setores estratégicos da economia. Logo abaixo dos cartorários, aparecem os membros do Poder Judiciário, com média de R$ 2,93 milhões, seguidos de perto pelos integrantes do Ministério Público, que declararam, em média, R$ 2,9 milhões.

A lista das ocupações com maior volume de bens é composta ainda por diplomatas (R$ 2,52 milhões), atletas e desportistas profissionais (R$ 1,71 milhão), dirigentes e presidentes de empresas industriais (R$ 1,66 milhão) e produtores agropecuários (R$ 1,58 milhão). Esses números, baseados nas declarações entregues em 2026 referentes ao ano-base 2025, ilustram como o patrimônio se distribui entre os contribuintes que compõem a base de dados da Receita.

Transparência e limites da consulta

A nova plataforma de dados, acessível via painéis interativos, foi desenhada para garantir o sigilo fiscal. Segundo o supervisor nacional do Imposto de Renda, José Carlos Fonseca, o sistema utiliza mecanismos de proteção que impedem a identificação individual dos cidadãos. As combinações de filtros, como cruzamento de renda e profissão, só são exibidas quando há um volume estatístico suficiente de declarantes, evitando a exposição de pessoas físicas.

É importante ressaltar que o levantamento considera apenas os contribuintes que entregaram a declaração do IRPF. Portanto, o retrato não abrange a totalidade da população brasileira, excluindo aqueles que, por não atingirem os critérios de obrigatoriedade — como o recebimento de rendimentos tributáveis superiores a R$ 35.584 em 2025 —, não precisaram prestar contas ao Fisco.

Recorde de declarações e cenário atual

O ano de 2026 foi marcado por um volume expressivo de entregas, com a Receita Federal recebendo 44,498 milhões de declarações, superando a projeção inicial de 44 milhões. O cenário revela que 56,1% dos contribuintes possuem saldo a restituir, enquanto 23% terão imposto a pagar e 21% ficaram sem saldo de imposto a acertar.

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