
Cinquenta membros do Parlamento Europeu solicitaram formalmente que a FIFA, a entidade máxima do futebol mundial, abra uma investigação sobre seu presidente, Gianni Infantino. A demanda surge em meio a uma forte controvérsia política e institucional, desencadeada pela decisão de atribuir o recém-criado “Prêmio da Paz da FIFA” ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com a entrega prevista para 5 de dezembro de 2025. Os eurodeputados alegam que a medida e as declarações de Infantino violam as regras de neutralidade política da federação, colocando em xeque a credibilidade da organização.
A pressão exercida pelos parlamentares europeus reflete uma preocupação crescente com a integridade e a imparcialidade de instituições esportivas globais. A queixa, que conta com o apoio de uma carta assinada por eurodeputados e obtida pelo site de investigação POLITICO, endossa uma denúncia prévia apresentada pela ONG de direitos humanos FairSquare. O cerne da questão reside na transparência da criação do prêmio e na sua subsequente atribuição a uma figura política em exercício, levantando sérias dúvidas sobre o cumprimento do próprio estatuto da FIFA.
A controvérsia do “Prêmio da Paz da FIFA”
A decisão de instituir um prêmio anual de paz e, mais especificamente, de concedê-lo a Donald Trump, gerou uma onda de críticas e questionamentos. A FairSquare, em sua queixa formal ao comitê de ética da FIFA, apontou que a criação da distinção não teria sido devidamente comunicada ou aprovada pelo Conselho da entidade. Essa suposta falta de transparência no processo é um dos pilares da contestação, sugerindo que a iniciativa pode ter sido uma decisão unilateral, sem o devido escrutínio interno.
A escolha de uma figura política como Trump, conhecido por suas posições polarizadoras e por um mandato marcado por intensos debates, é vista como um movimento que compromete diretamente a imagem de neutralidade que a FIFA deveria zelar. O futebol, em sua essência, é frequentemente celebrado como uma ferramenta de união e superação de barreiras, e a associação com figuras políticas controversas pode minar essa percepção global.
Violação da neutralidade política da FIFA
Os parlamentares europeus argumentam que a decisão de Infantino e suas declarações públicas em apoio ao presidente norte-americano podem configurar uma clara violação das regras internas da FIFA. O estatuto da organização é explícito ao determinar que a federação deve manter uma postura de neutralidade em questões políticas e religiosas, a fim de preservar sua autonomia e sua capacidade de atuar como um agente unificador no cenário global.
O eurodeputado Barry Andrews, do grupo Renew e principal articulador da carta, foi enfático ao afirmar que o futebol internacional tem a missão de unir povos e nações, e não de se envolver em disputas políticas. “Quando o presidente da FIFA, Infantino, favorece um presidente em detrimento de outro, isso traz descrédito à FIFA e a todo o torneio”, declarou Andrews, ressaltando o impacto negativo na credibilidade da entidade e na percepção pública dos eventos que ela organiza.
Antecedentes e o histórico de críticas à FIFA
Este não é o primeiro episódio em que a FIFA se vê no centro de uma tempestade ética e política. A entidade tem um histórico de decisões controversas que geraram críticas e levantaram dúvidas sobre sua governança. Um exemplo recente é a escolha da Arábia Saudita como sede do Mundial de 2034, uma decisão que foi recebida com ressalvas por organizações de direitos humanos e por parte da comunidade internacional, devido a preocupações com o histórico do país em relação a direitos humanos e a coerência com os próprios princípios institucionais da FIFA.
Esses antecedentes reforçam a percepção de que a FIFA, apesar de sua importância global, por vezes falha em manter a transparência e a imparcialidade esperadas de uma organização de seu porte. A reincidência em situações que colocam sua neutralidade em xeque alimenta um ciclo de desconfiança e exige uma postura mais rigorosa por parte de seus órgãos de controle e ética.
Os próximos passos e a expectativa por respostas
A FIFA confirmou o recebimento da queixa da FairSquare em dezembro, mas até o momento não emitiu uma resposta oficial ao pedido dos eurodeputados nem aos questionamentos do POLITICO. A ausência de um posicionamento claro e rápido por parte da entidade intensifica a pressão e a expectativa por uma investigação formal e transparente. A comunidade internacional do futebol, os torcedores e as organizações de direitos humanos aguardam que a FIFA demonstre um compromisso inabalável com seus próprios princípios de transparência, responsabilização e, acima de tudo, neutralidade política.
O desdobramento deste caso será crucial para o futuro da liderança de Gianni Infantino e para a imagem da FIFA como um todo. Em um momento de grande visibilidade global do futebol, a forma como a entidade lida com essa controvérsia pode definir sua capacidade de manter a confiança e o respeito de seus stakeholders e do público em geral.
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