O campeão mundial e olímpico de surfe, Italo Ferreira, vive um momento de profunda reflexão sobre a paternidade, especialmente em seu primeiro Dia dos Pais desde o nascimento do filho Martin, ocorrido em dezembro de 2025. Essa nova fase na vida do atleta potiguar o tem levado a revisitar e compreender ainda mais as valiosas lições transmitidas por seu próprio pai, Luiz Ferreira, carinhosamente conhecido como ‘Seu Luizinho’. A trajetória de Italo, marcada por superação e conquistas inéditas, é um testemunho do apoio incondicional que recebeu desde os primeiros passos no esporte, e agora, essa experiência molda sua própria missão como pai.
Seu Luizinho não foi apenas um pai, mas um dos pilares fundamentais no incentivo à carreira de um garoto de Baía Formosa, no Rio Grande do Norte, que se tornaria um dos maiores nomes do surfe mundial. Em um período em que recursos eram escassos e a ideia de títulos, patrocínios e pranchas de qualidade parecia um sonho distante, a fé e o apoio do pai foram o combustível inicial para Italo.
As Primeiras Ondas e o Apoio Incondicional
A história de Italo Ferreira no surfe começou de uma forma bastante peculiar e simbólica. Longe das pranchas de alta performance, suas primeiras experiências com as ondas foram sobre a tampa de uma caixa de isopor, utilizada por Seu Luizinho para vender peixes na praia. Era ali, na simplicidade do dia a dia, que o futuro campeão encontrava sua diversão e paixão pelo mar.
“Toda vez que eu voltava da escola ou esperava meu pai terminar o trabalho, ficava no mar surfando, aproveitando o tempo que tinha para me divertir. Eu não tinha prancha, usava a tampa do isopor em que ele gelava os peixes, e aquela era a minha diversão”, relembra Italo. O ponto de virada veio quando Seu Luizinho, com um gesto de amor e sacrifício, trocou peixes por uma prancha, dando ao filho a ferramenta que o levaria ao topo do mundo. “Foi onde tudo começou”, afirma o surfista, destacando a importância desse momento.
Da Superação à Conquista: O Sonho que Virou Realidade
A jornada de Italo não foi isenta de desafios. A família enfrentou dificuldades financeiras, o que os levou a uma mudança temporária de Baía Formosa para Natal, capital potiguar. Esse período de transição afastou Italo do mar e, consequentemente, do surfe. “Quando comecei a surfar, foi em um momento em que a gente estava numa transição bem difícil das nossas vidas. A gente foi morar em Natal, porque meus pais tiveram uma proposta de emprego e supostamente seria algo que poderia dar uma condição melhor para eles. Ficamos um período longe de Baía Formosa, e o sonho (do surfe) foi por água abaixo”, conta Italo.
No entanto, o retorno à terra natal e o apoio inabalável da família reacenderam a chama do surfe. A possibilidade de mudar a realidade de sua casa e proporcionar uma vida melhor para seus pais tornou-se um poderoso combustível. “Aquilo me alimentava, porque a cada momento que eu me destacava, que eu ganhava as competições, e avançava cada vez mais, eu conseguia realizar os desejos e os sonhos deles, como ter casa própria, carro, de mudar de vida mesmo, poder frequentar certos lugares, até ir para restaurante”, explica.
A generosidade de Seu Luizinho é uma das características mais valorizadas por Italo. Ele recorda um episódio marcante durante uma competição na praia de Ponta Negra, em Natal, quando a família passava por dificuldades e a fome era uma realidade. “A gente estava sem comer direito a uns dois dias. Só tinha biscoito, que era o que dava para comprar na época. Chegou o último dia de competição, que era sempre aos domingos, e ele apareceu com uma caixa, que supostamente era a que ele usava para gelar peixe. Mas estava cheia de sanduíche para a galera que ia competir nas finais. Ele sempre foi um cara generoso, mesmo com pouco. E não era só para a gente, geral que estava na praia abraçou, ficou todo mundo comendo sanduíche, se divertindo, e acabou que ganhamos o campeonato. Então são esses momentos que marcam para sempre”, narra o surfista.
O Legado de Generosidade e a Glória Compartilhada
A relação entre pai e filho foi marcada por momentos de emoção, tanto nas dificuldades quanto nas glórias. A conquista do mundial de surfe em 2019, com a vitória no Championship Tour da World Surf League (WSL), é um desses marcos. A celebração em Natal, com uma carreata pelas ruas, trouxe à tona memórias profundas. “Uma dessas avenidas era a que meus pais pegavam de ônibus para ir para o emprego deles na época. E a gente fez o mesmo percurso, mas em cima de um carro dos bombeiros, com a PRF parando a estrada inteira para a gente. Olhei para meu pai e disse: ‘Tá vendo aí, pai? O senhor andava aqui de ônibus, com salgado para vender com a minha mãe e hoje eles estão parando para a gente’”, relembra Italo, emocionado.
Essa conexão única foi celebrada em uma campanha da Riachuelo para o Dia dos Pais, que uniu Italo e Seu Luizinho, com registros feitos no litoral do Ceará. A ação resgatou a essência da trajetória do atleta, desde as primeiras ondas. “Foi muito especial, tanto para ele quanto para mim, mas para ele um pouco mais pelo fato de eu viajar bastante, e acabo ficando muito tempo fora. No início ele ficou um pouco mais fechado, mas depois se soltou e ficou bem natural, do jeito dele, uma figura. É um cara que eu admiro demais, e gosto muito de estar perto”, compartilha Italo.
A Paternidade e a Nova Perspectiva de Italo
A chegada de Martin, filho de Italo com a esposa Sofia Larocca, tem transformado a percepção do surfista sobre diversos aspectos da vida. Ele agora compreende a “angústia” que Seu Luizinho sentia quando o filho estava viajando. “A gente estava conversando, e aí aconteceu uma situação em que ele virou para mim e disse: ‘É, agora você vai entender porque você é pai’. No começo, ele ficava bolado comigo, porque eu viajava e não ligava, não dava notícia. Falava: ‘Ah, notícia ruim chega rápido’, e ele ficava muito bravo. E hoje a gente brinca, porque, provavelmente, eu vou sentir o que ele já sentiu”, reflete Italo.
Apesar da alegria da paternidade, Italo pondera sobre o desafio de conciliar a carreira de atleta com a vida familiar, sabendo que as viagens podem fazê-lo perder momentos importantes do crescimento do filho. No entanto, ele mantém a esperança de que, assim como Seu Luizinho foi uma inspiração para ele, ele também possa ser para Martin. “É uma coisa muito ruim, porque o bebê muda a cada semana, é impressionante. E provavelmente, em algum desses períodos, vou perder algum momento marcante, do qual vou ter que abrir mão para poder seguir um sonho, um objetivo, para que também isso seja uma forma de inspiração e que eu de fato possa dar uma vida melhor para eles, como eu queria que fosse no passado. É como se eu fizesse de tudo e quisesse conquistar o mundo para os dois (Martin e Sofia)”, afirma.
Atualmente em Teahupo’o, no Taiti, para a sétima etapa do CT da WSL, Italo Ferreira carrega consigo as lições do surfe – respeito, amor, entrega e resiliência – para enfrentar a saudade da família e buscar um bom desempenho. “São coisas que você consegue levar para a vida. E assim como no surfe, na vida eu tenho uma entrega, pontos a melhorar. E ainda mais quando você tem um filho, quando você inicia um novo momento, é como se tudo virasse de cabeça para baixo. Mas aquela família, que está ali esperando, faz com que você se torne um ser humano melhor”, declara o campeão. Acompanhe a World Surf League para mais detalhes sobre a carreira de Italo Ferreira.
A história de Italo Ferreira e Seu Luizinho é um lembrete poderoso do impacto duradouro do amor e apoio familiar. Em sua jornada como pai, Italo não apenas honra o legado de seu pai, mas também constrói um novo caminho de inspiração para Martin, reafirmando que os valores transmitidos em casa são tão importantes quanto as medalhas e os títulos. Para continuar acompanhando histórias inspiradoras, análises aprofundadas e notícias relevantes sobre esporte e diversos outros temas, mantenha-se conectado ao Portal RJ99, seu portal de informação de qualidade.