PUBLICIDADE

Lula assina contratos para concluir megaprojeto de fertilizantes nacionais em Três Lagoas

Ricardo Stuckert / PR
Ricardo Stuckert / PR

Nesta quinta-feira (25), o cenário da indústria nacional de fertilizantes ganhou um novo e significativo capítulo com a assinatura dos contratos para a conclusão da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), localizada em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva formalizou o acordo que marca a retomada de um projeto estratégico, paralisado desde 2015, e que agora integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Com um investimento previsto de mais de R$ 5 bilhões, a iniciativa promete não apenas impulsionar a produção nacional, mas também fortalecer a soberania e a segurança alimentar do Brasil.

O retorno de um gigante industrial em Três Lagoas

A fábrica de Três Lagoas, que permaneceu inativa por quase uma década, representa um marco na estratégia de reindustrialização e autossuficiência do país. A decisão de retomar as obras foi confirmada pela Petrobras após uma minuciosa reavaliação técnica e econômica, que atestou a plena viabilidade do empreendimento. A paralisação em 2015 deixou um vácuo na capacidade produtiva nacional, tornando o país ainda mais dependente de importações para um insumo vital à sua agricultura. A volta da UFN-III, portanto, é vista como uma resposta direta a essa vulnerabilidade.

Durante a cerimônia de assinatura, o presidente Lula expressou seu entusiasmo e a urgência do projeto. “Agora vai. Era pra ter começado bem antes”, afirmou, ressaltando a importância de acelerar o desenvolvimento de infraestruturas estratégicas. A retomada não é apenas um ato administrativo, mas um sinal claro do compromisso do governo em reativar projetos de grande porte que gerem valor e empregos para a economia brasileira.

Fertilizantes e a busca pela soberania nacional

A dependência externa de fertilizantes tem sido um ponto sensível para o agronegócio brasileiro, especialmente em momentos de instabilidade geopolítica e flutuações nos mercados globais. O Brasil, um dos maiores produtores de alimentos do mundo, importa a maior parte dos fertilizantes que utiliza, expondo sua cadeia produtiva a riscos significativos. A conclusão da UFN-III é um passo fundamental para mudar esse panorama.

Lula enfatizou a visão de longo prazo por trás da iniciativa: “Podem ficar certos, esse país vai construir sua soberania, sendo independente de importação de fertilizantes dos outros países. É apenas esperar que a gente vai ver o que vai acontecer”, declarou. A meta é clara: reduzir a vulnerabilidade do setor agrícola e garantir que a produção de alimentos no país não seja refém de fatores externos. A soberania alimentar, nesse contexto, passa diretamente pela capacidade de produzir os insumos necessários para o campo.

Impacto na produção e logística para o agronegócio

Quando a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III entrar em operação comercial, prevista para 2029, sua capacidade produtiva será impressionante. A fábrica terá a aptidão de gerar 3,6 mil toneladas diárias de ureia granulada e 2,2 mil toneladas diárias de amônia. Anualmente, isso se traduz em cerca de 1,3 milhão de toneladas de ureia, volume que representa aproximadamente 16% da demanda nacional pelo insumo, conforme nota divulgada pelo Palácio do Planalto.

A localização estratégica da fábrica em Três Lagoas é outro ponto crucial. O Centro-Oeste brasileiro é responsável por cerca de 40% da demanda de ureia do país, impulsionada por culturas como milho, cana-de-açúcar, algodão e vastas áreas de pastagens. A proximidade da UFN-III com esses importantes polos agrícolas promete otimizar o abastecimento e, consequentemente, reduzir os custos logísticos para produtores rurais. Estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo serão diretamente beneficiados, ganhando maior confiabilidade no acesso a esses insumos essenciais.

A estratégia da Petrobras e o Novo PAC para fertilizantes

A retomada da UFN-III não é um caso isolado, mas parte de uma estratégia mais ampla da Petrobras dentro do Novo PAC para o setor de fertilizantes. Atualmente, a carteira da estatal inclui quatro unidades: Fafen-BA (Bahia), Fafen-SE (Sergipe), ANSA (Araucária Nitrogenados S.A., no Paraná) e a própria UFN-III. Essa diversificação e o investimento em múltiplas plantas visam criar uma rede robusta de produção nacional.

Com a entrada em operação de todas essas plantas, a Petrobras projeta atender cerca de 35% do mercado nacional de ureia até 2029. Este é um salto significativo, considerando que, antes da retomada dessas fábricas, a ureia consumida no Brasil era 100% importada. A iniciativa representa uma mudança de paradigma, com a Petrobras reafirmando seu papel estratégico não apenas na exploração de petróleo e gás, mas também na garantia de insumos fundamentais para a economia agrícola do país. Para mais detalhes sobre a retomada, clique aqui.

A conclusão da fábrica de fertilizantes em Três Lagoas é um passo decisivo para a autonomia do agronegócio brasileiro e para a segurança alimentar da nação. Acompanhe o Portal RJ99 para se manter atualizado sobre este e outros desenvolvimentos que moldam o futuro do Brasil, com reportagens aprofundadas, análises contextualizadas e o compromisso de trazer informação relevante e de qualidade para você.

Leia mais

PUBLICIDADE