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Lula revela estudo para Correios receberem celulares roubados e alerta usuários

© Marcelo Camargo/Agência Brasil
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo federal está avaliando uma nova e inusitada estratégia para combater o crescente problema do roubo de celulares no Brasil. A proposta, anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última quarta-feira, 10 de junho de 2026, sugere que aparelhos furtados ou roubados possam ser devolvidos diretamente nas agências dos Correios, em vez das delegacias de polícia. A iniciativa visa facilitar a recuperação dos dispositivos e, ao mesmo tempo, desestimular o crime, com um alerta direto aos que estiverem em posse de um celular roubado.

A declaração foi feita durante a abertura da 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), realizada no Palácio do Itamaraty, em Brasília. Lula enfatizou a seriedade da medida, afirmando que o governo pretende enviar mensagens aos celulares roubados, instruindo a devolução e alertando para possíveis consequências caso a orientação não seja seguida. A ideia surge em um cenário onde cerca de 2,5 milhões de celulares são roubados no país, conforme um estudo do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

Combate ao Roubo de Celulares: Uma Nova Abordagem

A criminalidade envolvendo roubo e furto de celulares é uma preocupação constante para a segurança pública e para a população brasileira. A facilidade de revenda e o valor agregado dos aparelhos tornam-nos alvos frequentes, gerando prejuízos financeiros e traumas para as vítimas. A proposta de Lula busca oferecer um caminho alternativo e, potencialmente, mais eficiente para a recuperação desses bens, que muitas vezes se perdem nos trâmites burocráticos ou são rapidamente repassados no mercado ilegal.

O mecanismo imaginado pelo presidente envolveria o envio de um “sinalzinho” – uma mensagem direta – para os dispositivos identificados como roubados. “Eu vou disparar o sinalzinho [mensagem] para quem estiver com celular roubado, devolver, porque, senão, haverá consequências”, declarou Lula. Ele explicou que o governo possui o cadastro, o endereço e o chassi dos 2,5 milhões de celulares roubados, o que permitiria essa comunicação direta. A logística de como os Correios receberiam, armazenariam e devolveriam esses aparelhos, bem como a natureza exata das “consequências” mencionadas para quem não devolver, ainda são pontos a serem detalhados pelo estudo do MJSP e por futuras regulamentações.

Atualmente, o aplicativo Celular Seguro já oferece uma ferramenta importante para as vítimas, permitindo o bloqueio imediato do aparelho, da linha telefônica e das contas bancárias vinculadas ao smartphone em casos de roubo, furto ou extravio. A nova proposta, se implementada, complementaria essas ações, focando na recuperação física do aparelho e na desarticulação do mercado ilegal de revenda, ao pressionar os receptadores a devolverem os itens e, assim, reduzir a atratividade do crime de roubo de celular.

A Importância da Distribuição de Renda e Inclusão Social

Além da questão da segurança pública, o presidente Lula aproveitou a plenária do CDESS para reforçar a importância das políticas de distribuição de renda e inclusão social. Em seu discurso, ele defendeu que o foco do governo deve ir além dos números isolados de crescimento econômico, priorizando a inserção das camadas mais vulneráveis da população no orçamento do país e garantindo acesso a direitos básicos.

“O que é importante é que aos poucos a gente vai colocando a parte mais sensível e mais pobre da população dentro do orçamento do país, levando a sério a educação, a saúde e a legalização de terras indígenas”, afirmou o presidente. Essa visão se alinha com a agenda social do governo, que busca reduzir desigualdades históricas e promover a cidadania plena. Um exemplo prático dessa política será a entrega de documentação de terras quilombolas na próxima quinta-feira, 11 de junho de 2026, um evento que, segundo Lula, marcará a regularização de 48% de todas as terras quilombolas registradas no Brasil, um avanço significativo na garantia de direitos territoriais.

Lula também fez críticas à reação do mercado financeiro às metas fiscais do governo, indicando uma tensão entre as prioridades sociais e as expectativas econômicas. “Se a gente tiver um déficit de 0,20% vai cair o mundo”, ironizou, ressaltando a pressão por rigor fiscal em contraste com a necessidade de investimentos sociais e a expansão de programas que beneficiem diretamente a população mais carente. Esse debate reflete a constante busca por equilíbrio entre a responsabilidade fiscal e o compromisso com o desenvolvimento social.

Entre a Política e o Futebol: A Agenda Presidencial

Em um momento mais descontraído da reunião, que abordou temas de grande relevância nacional, o presidente Lula também comentou sobre a paixão nacional: o futebol. Ele expressou seu desejo de vitória para a seleção brasileira na partida de estreia da Copa do Mundo de 2026, que ocorrerá no próximo sábado, 13 de junho de 2026, contra a equipe do Marrocos, em Nova Jersey, Estados Unidos.

“Já errei em 1982, 1986. Mas eu quero que o Brasil ganhe. Se ganhar de meio a zero, já está bom”, brincou o presidente, mostrando que, mesmo em meio a discussões importantes sobre segurança e economia, há espaço para o entusiasmo com o esporte que une o país e mobiliza milhões de torcedores. Essa leveza em um evento formal também serve para humanizar a figura presidencial e conectar-se com o público em diferentes níveis.

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