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Marilyn Monroe 100 anos: exposição em São Paulo revisita a verdadeira estrela

© mptvimages.com/Direitos reservados
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No dia 1º de junho, o mundo da cultura e do cinema celebrou o centenário de uma das figuras mais icônicas de Hollywood: a atriz estadunidense Marilyn Monroe. Para marcar a data e oferecer uma nova perspectiva sobre sua carreira e legado, o Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo apresenta a “Mostra Marilyn Monroe 100 anos”, com a exibição de doze filmes estrelados pela artista. A iniciativa busca ir além da imagem de “loira fatal” e mergulhar na profundidade de seu talento e pioneirismo.

A mostra, que acontece na capital paulista, é uma oportunidade para o público brasileiro redescobrir a complexidade de uma estrela que, apesar de sua vida breve, deixou uma marca indelével na cultura pop global. A curadoria cuidadosa promete revelar facetas menos conhecidas de Marilyn, convidando à reflexão sobre a mulher e a artista por trás do mito.

O ícone para além do estereótipo da loira fatal

Marilyn Monroe se imortalizou no imaginário coletivo como a “loira fatal”, um símbolo de sensualidade e glamour. A imagem de seu vestido branco esvoaçante sobre uma grade de metrô, na clássica cena do filme “O Pecado Mora ao Lado”, dirigido por Billy Wilder, é instantaneamente reconhecível e transcende gerações. No entanto, essa representação, embora poderosa, muitas vezes ofuscou a inteligência e a ambição de uma mulher que lutava para ser levada a sério em uma indústria dominada por homens.

Julgada predominantemente pela aparência e pela persona que a tornou famosa, Marilyn enfrentou desafios constantes para provar seu valor artístico. Sua carreira, que durou 15 anos entre o primeiro e o último filme (este último não finalizado), foi marcada por uma busca incessante por papéis que a desafiassem e a permitissem explorar sua versatilidade como atriz. A mostra do MIS é um passo importante para resgatar essa dimensão de sua trajetória.

Pioneirismo e a luta por controle artístico

Nascida Norma Jeane Mortenson em Los Angeles, Marilyn Monroe teve uma infância difícil, passando por orfanatos e lares adotivos. Iniciou sua carreira como modelo antes de adotar o nome artístico que a consagraria. Apesar de ter alcançado a fama em produções de sucesso como “Os Homens Preferem as Loiras” e “Quanto Mais Quente Melhor”, ela ansiava por ser vista além dos estereótipos de comédia e sensualidade que interpretava.

Em um movimento audacioso e revolucionário para a época, Marilyn foi uma das primeiras mulheres a criar sua própria produtora de filmes, a Marilyn Monroe Productions, em 1954. Essa iniciativa demonstrava seu desejo de ter mais controle sobre sua carreira, os roteiros que escolhia e a forma como seria retratada nas telas. Foi um ato de empoderamento que desafiou as estruturas de poder de Hollywood, revelando uma faceta de empresária e visionária que muitas vezes é esquecida em meio à espetacularização de sua vida privada.

A vida e a carreira sob nova ótica na mostra do MIS

A vida de Marilyn Monroe, marcada por glória e tragédia, foi intensamente espetacularizada pela mídia. Sua morte precoce, aos 36 anos em agosto de 1962, vítima de uma overdose de remédios, solidificou a imagem de um ícone frágil e complexo. Contudo, a mostra no Museu da Imagem e do Som oferece uma chance de fazer uma imersão na rica filmografia da atriz, permitindo que o público reavalie seu talento e contribuição para a sétima arte.

A curadoria de André Sturm deu destaque a trabalhos menos conhecidos e igualmente importantes na trajetória de Marilyn. Entre os filmes exibidos, estão o primeiro papel com fala da atriz em “Idade Perigosa”, seu primeiro papel de protagonista em “Mentira Salvadora”, o drama noir “Só a Mulher Peca”, de Fritz Lang, e o western “O Rio das Almas Perdidas”, de Otto Preminger. A programação inclui ainda dois longas de John Huston: “O Segredo das Joias” e “Os Desajustados”, este último seu último filme completo.

Além da exibição de filmes, quem visitar o local também pode conferir a última sessão de fotos de Marilyn Monroe, realizadas em uma entrevista para a revista Life na casa da atriz pelo fotógrafo Allan Grant. Muitas dessas fotografias, que não foram publicadas na revista na época, chegam ao público pela primeira vez, oferecendo um vislumbre íntimo e inédito da estrela.

A mostra segue até o próximo domingo (7) e os ingressos custam entre R$ 3 e R$ 6. Detalhes da programação completa podem ser encontrados no site oficial do MIS. É uma oportunidade imperdível para celebrar o centenário de uma das maiores lendas do cinema e descobrir a verdadeira artista por trás do mito.

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