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Mercado de trabalho: Brasil atinge menor taxa de subutilização da história, diz IBGE

© Fernando Frazão/Agência Brasil
© Fernando Frazão/Agência Brasil

O mercado de trabalho brasileiro continua em uma trajetória de aquecimento, com reflexos positivos que se estendem para além da já conhecida taxa de desocupação. Um novo marco foi alcançado, conforme revelado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta sexta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O país registrou a menor taxa de subutilização da força de trabalho em sua série histórica, um indicador crucial para compreender a plenitude do aproveitamento da mão de obra nacional.

O que significa a subutilização da força de trabalho

Para entender a relevância desse recorde, é fundamental diferenciar a taxa de subutilização da taxa de desocupação, popularmente conhecida como desemprego. Enquanto a desocupação mede o percentual de pessoas que procuraram ativamente um emprego e não encontraram, a subutilização oferece uma visão mais abrangente. Ela engloba a parcela da população em idade de trabalhar que não está sendo plenamente aproveitada pelo mercado e, mais importante, que manifesta o desejo de trabalhar mais ou encontrar uma ocupação.

De acordo com William Kratochwill, analista da pesquisa do IBGE, o universo dos subutilizados é composto por três grupos distintos:

  • Desocupados: pessoas que buscaram uma vaga nos 30 dias anteriores à pesquisa.
  • Subocupados por insuficiência de horas trabalhadas: indivíduos que estão empregados, mas gostariam de trabalhar mais horas (idealmente 40 semanais) e não conseguem uma ocupação que lhes permita isso.
  • Força de trabalho potencial: que inclui tanto os desalentados quanto os não desalentados. Os desalentados são aqueles que desistiram de procurar emprego por acreditar que não encontrarão, seja por falta de vagas na região, idade avançada ou qualificação inadequada. Já os não desalentados desejam trabalhar e estão disponíveis, mas não procuraram uma vaga por outras razões, ou procuraram, mas não estavam disponíveis para iniciar imediatamente.

A trajetória do indicador: do pico da pandemia ao recorde atual

O índice de subutilização atingiu 13,3% no trimestre móvel encerrado em maio, superando o recorde anterior de 13,4%, registrado no último trimestre de 2025. A série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012, permite traçar um panorama da evolução desse indicador. No trimestre encerrado em maio de 2025, a taxa era de 14,9%, o que significa que, em um ano, aproximadamente 1,9 milhão de pessoas deixaram a condição de subutilizados.

Esse recuo é ainda mais notável quando comparado ao pico histórico. A maior taxa de subutilização já registrada foi de 30,7%, no trimestre até agosto de 2020, um período diretamente impactado pela pandemia de covid-19 e suas severas restrições econômicas. Antes da eclosão da pandemia, em maio de 2019, a taxa havia alcançado 25%, com um contingente de 28,4 milhões de pessoas nessa situação. A queda para os atuais 15,1 milhões de subutilizados no trimestre encerrado em maio, representando uma redução de 5,7% (menos 920 mil pessoas) em relação ao trimestre anterior, sinaliza uma recuperação robusta e contínua do mercado.

Impactos de um mercado de trabalho mais aquecido

A diminuição da subutilização é um forte indicativo de que o mercado de trabalho brasileiro está, de fato, aquecido e absorvendo a mão de obra disponível. William Kratochwill ressalta que, embora a taxa de desocupação seja mais popular, a análise da subutilização oferece uma percepção mais profunda da dinâmica do emprego. “Mostra que o estoque de pessoas, esse colchão de trabalhadores que podem ser absorvidas pelo mercado de trabalho, está diminuindo cada vez mais”, afirma o analista. Para mais detalhes sobre a pesquisa, consulte o relatório completo da Pnad Contínua do IBGE.

Essa escassez crescente de mão de obra disponível pode ter implicações significativas para a relação entre empregadores e trabalhadores. Em um cenário onde a oferta de trabalhadores plenamente disponíveis e desejosos de mais horas de trabalho diminui, a tendência é que o “preço da mão de obra” comece a subir. Isso pode se traduzir em melhores salários, mas também em uma melhoria nas condições e na qualidade das ofertas de trabalho, à medida que as empresas competem por talentos. É um movimento que beneficia os trabalhadores, que podem encontrar mais oportunidades e condições mais favoráveis.

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A contínua melhora nos indicadores do mercado de trabalho, como a taxa de subutilização, é uma notícia de grande impacto para a economia e para a vida dos brasileiros. Entender esses dados e suas implicações é crucial para cidadãos, empresas e formuladores de políticas públicas. Para se manter sempre atualizado sobre este e outros temas relevantes, com análises aprofundadas e contextualizadas, continue acompanhando o Portal RJ99. Nosso compromisso é oferecer informação de qualidade, abrangendo uma vasta gama de assuntos para que você esteja sempre bem informado.

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