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Luiz Carlos Barreto, gigante do cinema brasileiro, morre aos 98 anos no Rio

Luiz Carlos Barreto, gigante do cinema brasileiro, morre aos 98 anos no Rio
© Wikipédia/ Divulgação

O cinema brasileiro perdeu nesta quarta-feira (22) uma de suas figuras mais influentes e longevas. Luiz Carlos Barreto, produtor, roteirista e diretor que moldou a história da sétima arte no país, faleceu aos 98 anos no Rio de Janeiro. O cineasta estava internado desde segunda-feira no Hospital Copa Star, em Copacabana, onde recebia tratamento para uma infecção pulmonar.

Reconhecido como um dos grandes arquitetos da indústria audiovisual nacional, Barreto deixou um legado que atravessa gerações. Em sinal de pesar pela perda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou luto oficial de três dias em todo o território nacional, reconhecendo a importância vital de sua obra para a identidade cultural do Brasil.

Trajetória e o impacto do cinema brasileiro

A carreira de Luiz Carlos Barreto, carinhosamente chamado de “Barretão”, começou muito antes das câmeras de cinema. Natural de Sobral, no Ceará, ele iniciou sua trajetória profissional como fotógrafo na icônica revista O Cruzeiro, na década de 1950. Esse olhar apurado para a imagem seria o alicerce de sua transição para o cinema, onde se tornaria um dos nomes mais respeitados do país.

Sua estreia como roteirista ocorreu em 1962, com o filme O Assalto ao Trem Pagador, de Roberto Farias. No ano seguinte, ao lado de sua esposa, Lucy Barreto, ele fundou a L.C. Barreto Produções. A empresa tornou-se um pilar de resistência e fomento ao cinema nacional, especialmente durante os anos de chumbo da ditadura militar, quando a produção independente enfrentava severas dificuldades.

Obras que definiram a sétima arte

O impacto de Barretão no cinema é imensurável. Ele foi peça-chave no movimento Cinema Novo, produzindo obras fundamentais como Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, e Terra em Transe, de Glauber Rocha. Ao longo de mais de seis décadas, sua produtora esteve por trás de mais de 50 filmes que definiram a estética e a narrativa brasileira.

Entre seus maiores sucessos comerciais e de crítica, destaca-se Dona Flor e seus dois maridos, dirigido por seu filho, Bruno Barreto. O longa-metragem manteve o recorde de maior bilheteria do cinema nacional por mais de três décadas, provando que o cinema brasileiro poderia, sim, dialogar com o grande público sem abrir mão da qualidade artística.

Reconhecimento internacional e legado

A excelência da produção de Barreto levou o cinema brasileiro a patamares globais. Ele foi indicado duas vezes ao Oscar de melhor filme estrangeiro com as obras O Quatrilho, dirigido por seu filho Fábio Barreto, e O Que é isso, Companheiro?, de Bruno Barreto. Essas indicações consolidaram o nome da família Barreto como uma dinastia do audiovisual brasileiro.

Entidades como a Ancine e a Academia Brasileira de Letras prestaram homenagens ao cineasta. A agência destacou que sua atuação foi decisiva para o fortalecimento da indústria e para a defesa de uma identidade própria no cinema. Já a ABL ressaltou seu papel como articulador político, sempre empenhado na criação de políticas públicas que garantissem o futuro do setor.

O velório de Luiz Carlos Barreto acontece nesta quinta-feira no Palácio da Cidade, no Rio de Janeiro. A cerimônia de despedida será seguida pela cremação no Memorial do Caju. O Portal RJ99 continuará acompanhando as homenagens e o legado deixado por este ícone da cultura brasileira. Siga nossas atualizações para mais informações sobre os desdobramentos desta notícia e outros temas relevantes para o cenário nacional.

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