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Museu Nacional recupera negativos raros de Roquette-pinto, peças-chave da memória nacional

Agência Brasil
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O Museu Nacional, uma das mais importantes instituições científicas e culturais do Brasil, celebra um marco significativo em sua jornada de reconstrução e preservação. A instituição anunciou a recuperação de um conjunto raro de oito negativos fotográficos em vidro e uma lanterna slide, artefatos que pertenceram a Edgard Roquette-Pinto, figura seminal conhecida como o pai da radiodifusão brasileira. Esses itens, que estavam sob a guarda da Fundação Biblioteca Nacional por mais de um século, agora enriquecem a coleção da Seção de Memória e Arquivo (Semear) do Museu Nacional, adicionando camadas valiosas à compreensão de nosso passado científico e cultural.

A descoberta e o resgate desses materiais representam um reencontro simbólico com a história, especialmente após o trágico incêndio de 2018 que devastou grande parte do acervo do museu. Os negativos, que funcionavam como “moldes” para a produção de fotografias em papel, contêm imagens de inestimável valor histórico. Eles retratam culturas indígenas, elementos da natureza e exemplares associados à pesquisa científica, oferecendo um vislumbre das expedições e estudos realizados no início do século XX. Essas imagens foram originalmente expostas em uma conferência na Biblioteca Nacional, em 1913, evidenciando a longevidade e a relevância de seu conteúdo.

O legado de Roquette-Pinto e a importância dos negativos

Edgard Roquette-Pinto (1884-1954) foi muito mais do que o pioneiro do rádio no Brasil. Médico, antropólogo, etnólogo e professor, ele dedicou sua vida à ciência e à divulgação do conhecimento, sendo um dos grandes intelectuais de sua época. Seus trabalhos com povos indígenas, como os Nambiquara e os Pareci, no Mato Grosso, foram fundamentais para a etnografia brasileira. Os negativos recuperados são um testemunho direto de suas pesquisas e da forma como a ciência era documentada e compartilhada há mais de cem anos. Eles não apenas registram aspectos visuais de um Brasil em transformação, mas também a metodologia e os interesses científicos daquele período.

A técnica dos negativos em vidro, embora hoje obsoleta, foi crucial para a fotografia da época. Cada chapa era cuidadosamente preparada e revelada, exigindo um domínio técnico que transformava o registro em uma arte e uma ciência. A lanterna slide, por sua vez, era o meio pelo qual essas imagens eram projetadas e compartilhadas em palestras e conferências, funcionando como um precursor das apresentações multimídia modernas. A recuperação desses itens permite não só a visualização das imagens, mas também o estudo das ferramentas e métodos utilizados pelos cientistas daquele tempo.

Colaboração institucional e o processo de resgate

O processo de identificação e recuperação desses negativos foi um trabalho meticuloso de colaboração entre diferentes instituições. O historiador Gustavo Alves Cardoso Moreira, da equipe técnica do Semear, e a conservadora-restauradora Ana Luiza Castro do Amaral, chefe do Laboratório Central de Conservação e Restauro da UFRJ, foram os responsáveis pela análise. Eles realizaram associações cruciais entre os negativos preservados da Biblioteca Nacional, a vasta coleção histórica de pranchas fotográficas e os registros documentais da antiga coleção de negativos em vidro do Museu Nacional, que infelizmente foi perdida no incêndio de 2018.

Essa sinergia entre o Museu Nacional e a Fundação Biblioteca Nacional exemplifica a importância da cooperação para a salvaguarda do patrimônio cultural brasileiro. O diretor do Museu Nacional, Ronaldo Fernandes, enfatizou a relevância dessa parceria: “A verdadeira alma do Museu Nacional está na memória, nas ideias. Por isso, receber de volta esses negativos de 1913, que a Biblioteca Nacional guardou com tanto cuidado por anos, é como encaixar uma peça fundamental do nosso mosaico de artefatos, memórias e ideias. E o mais importante disso tudo é que garante que as próximas gerações conheçam o nosso passado para poderem olhar para o futuro. Ver o museu e a Biblioteca Nacional atuando em conjunto reforça o papel de ambas as instituições como grandes guardiãs da memória do Brasil.”

Um futuro construído sobre o passado

A restituição desses registros visuais representa mais do que a adição de novos itens a uma coleção; é um marco simbólico para o Museu Nacional. Permite o reencontro com documentos históricos insubstituíveis que preservam aspectos singulares da ciência, da cultura e das práticas institucionais de sua trajetória. Em um momento em que o museu se reergue, cada peça recuperada ou reintegrada é um passo fundamental para a reconstrução de sua identidade e para a continuidade de sua missão educativa e científica.

Esses negativos não são apenas imagens antigas; são janelas para um tempo passado, ferramentas para entender a evolução do pensamento científico e cultural no Brasil, e um lembrete da resiliência e da importância da preservação da memória. A colaboração entre as instituições e o trabalho incansável de pesquisadores e conservadores garantem que o legado de figuras como Roquette-Pinto continue a inspirar e a educar as futuras gerações. Para saber mais sobre o acervo e as iniciativas do Museu Nacional, visite o site oficial.

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