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Nova Lei do Frete é sancionada e consolida regras para o transporte rodoviário de cargas

Nova Lei do Frete é sancionada e consolida regras para o transporte rodoviário de cargas
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Uma importante mudança na regulamentação do setor de transportes foi oficializada esta semana com a sanção da nova Lei do Frete. A medida transforma em normas permanentes uma série de diretrizes que já vinham sendo aplicadas desde março, visando aprimorar a fiscalização e a transparência no transporte rodoviário de cargas em todo o país. O objetivo central é garantir condições mais justas para os caminhoneiros e para as empresas do setor, combatendo práticas que desvalorizam o trabalho e comprometem a segurança.

A nova legislação chega para consolidar um arcabouço regulatório que busca equilibrar os interesses de todos os elos da cadeia logística, desde o embarcador até o motorista autônomo. A expectativa é que, com a permanência dessas regras, o mercado se torne mais previsível e menos suscetível a flutuações que prejudicam a sustentabilidade do transporte de mercadorias, um pilar fundamental da economia brasileira.

O Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) como pilar

Um dos pontos cruciais que a nova lei torna permanente é a obrigatoriedade do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT). Este mecanismo é fundamental para registrar todas as operações de frete, permitindo um controle mais rigoroso sobre os contratos e, principalmente, sobre o cumprimento do piso mínimo estabelecido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

O CIOT funciona como uma ferramenta de transparência, garantindo que os valores acordados sejam devidamente pagos e que o frete não seja contratado abaixo dos patamares mínimos definidos pela ANTT. Essa medida é vista como um avanço significativo na proteção dos direitos dos caminhoneiros, que frequentemente enfrentam a pressão por preços defasados, impactando diretamente sua renda e as condições de trabalho.

Os vetos presidenciais e as controvérsias

Apesar da sanção, a Lei do Frete não foi aprovada em sua totalidade. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva exerceu o direito de veto sobre uma série de dispositivos que haviam sido acrescentados pelo Congresso Nacional durante a tramitação da proposta. Esses vetos geraram debates e destacam a complexidade das relações entre os poderes Executivo e Legislativo.

Entre os dispositivos barrados, destaca-se o artigo que previa a anistia a multas aplicadas a transportadores, empresas e motoristas que participaram de manifestações e bloqueios de rodovias ocorridos após as eleições de 2022. A proposta de anistia abrangia multas judiciais e administrativas, sanções civis e administrativas, e penalidades já inscritas em dívida ativa, buscando aliviar a situação de muitos profissionais afetados pelos protestos.

Justificativas do governo para os vetos

Na justificativa enviada ao Congresso, o governo argumentou que a medida de anistia violaria o princípio da separação dos Poderes e a garantia constitucional da coisa julgada, uma vez que alcançaria multas decorrentes de decisões judiciais já proferidas e transitadas em julgado. Além disso, foi apontado que a proposta implicaria uma renúncia de receita sem a devida estimativa de impacto orçamentário e financeiro, exigência prevista na legislação fiscal.

Outro veto presidencial importante recaiu sobre um artigo que convertia em advertência multas aplicadas por descumprimento da política de pisos mínimos do frete. O governo justificou essa decisão afirmando que a medida representaria uma anistia de penalidades administrativas e, novamente, uma renúncia de receita sem a necessária estimativa de impacto financeiro, o que poderia comprometer as contas públicas e a eficácia da fiscalização.

Próximos passos e a análise do Congresso

Os vetos presidenciais não são definitivos e serão agora submetidos à análise do Congresso Nacional. Parlamentares terão a prerrogativa de mantê-los ou derrubá-los, em um processo que pode reverter as decisões do Executivo. Até que essa análise seja concluída, os trechos da lei que foram sancionados permanecem em pleno vigor. Isso inclui as regras de fiscalização do piso mínimo do frete e a obrigatoriedade do uso do CIOT em todas as operações de transporte de cargas.

A continuidade dessas discussões no Congresso é crucial para o futuro da regulamentação do transporte rodoviário. A sociedade e o setor de transportes acompanharão de perto os desdobramentos, cientes de que as decisões tomadas impactarão diretamente a economia, as condições de trabalho dos caminhoneiros e a eficiência da logística nacional. Manter-se informado sobre essas mudanças é essencial para compreender os rumos do setor.

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