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De pediatra a empreendedora: como um ateliê de cerâmica inclusivo fatura R$ 95 mil

De pediatra a empreendedora: como um ateliê de cerâmica inclusivo fatura R$ 95 mil
Reprodução G1

Após dedicar mais de duas décadas à medicina, atuando na linha de frente de UTIs neonatais, Maria Angélica Telles, conhecida como Magé, protagonizou uma mudança radical em sua trajetória profissional. A ex-pediatra, que passou anos lidando com a fragilidade e a urgência do ambiente hospitalar, encontrou um novo propósito ao transformar a cerâmica — inicialmente um hobby familiar — em um negócio de sucesso em Curitiba, no Paraná.

A origem do projeto e a conexão familiar

A transição de carreira teve início de forma orgânica, motivada pela busca de uma conexão mais profunda com seu filho, Thiago. O jovem, que nasceu com uma condição genética, apresentava desafios de concentração em atividades cotidianas, mas encontrou na modelagem de argila um refúgio terapêutico. Magé observou que, diante do barro, o filho conseguia manter o foco por horas, algo que raramente ocorria em outras dinâmicas.

O que começou como um momento de lazer doméstico em 2015 ganhou contornos profissionais durante a pandemia. Percebendo o potencial transformador da arte, a médica decidiu investir em formação técnica e em gestão empresarial. Com um aporte de aproximadamente R$ 900 mil ao longo do processo, ela estruturou o Almamia Ateliê de Cerâmica, um espaço que vai além do ensino técnico e prioriza o acolhimento.

Inclusão como pilar do modelo de negócio

O diferencial do ateliê reside na sua proposta de inclusão. O ambiente foi desenhado para receber alunos com necessidades específicas, adaptando-se às particularidades de cada indivíduo. A metodologia de ensino é flexível: em dias de maior sensibilidade sensorial, o espaço ajusta a iluminação e reduz estímulos sonoros, garantindo que a experiência seja confortável e produtiva para todos.

Para manter a excelência no atendimento, a equipe pedagógica mantém um diálogo constante com profissionais da saúde, como psicólogos e terapeutas ocupacionais. Essa rede de apoio permite que o ateliê funcione como um espaço de cuidado, onde a cerâmica atua como uma ferramenta de expressão e desenvolvimento pessoal, atraindo não apenas estudantes de arte, mas famílias que buscam um ambiente seguro e acolhedor.

Resultados e impacto no mercado

O modelo de negócio, que une afeto e gestão profissional, tem se mostrado sólido. Atualmente, o ateliê registra um faturamento médio mensal de R$ 95 mil, consolidando-se como uma referência em Curitiba. O sucesso financeiro, contudo, é visto pela fundadora como um reflexo de um propósito maior: a criação de uma comunidade onde a diversidade é celebrada e a produção manual é valorizada.

Mais do que um centro de ensino, o local tornou-se um ponto de encontro para mães e filhos, que compartilham o processo criativo nas bancadas de trabalho. Para Magé, ver o crescimento do negócio ao lado de Thiago é a realização de um projeto que molda, simultaneamente, peças de cerâmica e novas formas de empreender com humanidade. O caso demonstra como a transição de carreira, quando alinhada a um propósito social claro, pode gerar resultados expressivos e sustentáveis.

O Portal RJ99 segue acompanhando histórias de empreendedorismo que transformam realidades e promovem inclusão. Continue conosco para ler mais sobre negócios, comportamento e as tendências que movimentam o mercado nacional.

Para mais informações sobre o projeto, acesse o site oficial em www.almamiacuritiba.com.

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