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Petrobras retoma produção de fertilizantes e projeta cobrir 35% da demanda nacional

fertilizantes com a retomada de projetos de fabricação própria do insumo, consid
Reprodução Agência Brasil

A Petrobras anunciou um plano ambicioso para reduzir significativamente a dependência externa do Brasil em relação aos fertilizantes, insumos cruciais para o agronegócio. A estatal prevê que, com a retomada de suas fábricas e a conclusão de novos projetos, será capaz de atender a mais de um terço da demanda nacional por esses produtos. A iniciativa marca um movimento estratégico para fortalecer a segurança alimentar e a competitividade agrícola do país.

O anúncio foi feito em um evento de grande repercussão, durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à fábrica de fertilizantes nitrogenados na Bahia (Fafen), localizada em Camaçari, na região metropolitana de Salvador. Acompanhado por representantes da Petrobras, ministros de Estado e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, o presidente reforçou a importância da reindustrialização e da autossuficiência em setores estratégicos.

O Retorno Estratégico das Fábricas de Fertilizantes

A retomada da Fafen Bahia é um marco central nessa estratégia. A planta industrial, que permaneceu hibernada por cerca de seis anos, foi reiniciada em janeiro de 2026, após um investimento de R$ 100 milhões. Com capacidade de produzir 1,3 mil toneladas diárias de ureia, a unidade já contribui com aproximadamente 5% da demanda nacional por esse tipo de fertilizante.

Além do impacto na produção, a reativação da Fafen Bahia gerou um impulso significativo no mercado de trabalho local, criando 900 empregos diretos e outros 2,7 mil indiretos na região. Essa iniciativa se soma a outras ações importantes da Petrobras no setor, como a reabertura da Fafen no município de Laranjeiras, em Sergipe, e da fábrica da companhia Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), em Araucária, na região metropolitana de Curitiba.

Um quarto pilar dessa estratégia é a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. Atualmente em fase de construção, a UFN-III tem previsão de iniciar suas operações em 2029, consolidando a capacidade produtiva da Petrobras. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou durante a visita que, com todas essas unidades em funcionamento, a estatal alcançará a meta de produzir 35% dos fertilizantes nitrogenados necessários ao Brasil.

A Necessidade Brasileira por Fertilizantes e a Vulnerabilidade Externa

O Brasil, uma potência agrícola e o segundo maior produtor mundial de alimentos, enfrenta uma grande vulnerabilidade: a alta dependência de importações de fertilizantes. Atualmente, o país importa entre 85% e 90% dos fertilizantes que consome, o que o torna suscetível a flutuações de preços e interrupções na cadeia de suprimentos globais. Essa dependência é ainda mais crítica quando se considera que o Brasil é o quarto maior consumidor global de fertilizantes, respondendo por cerca de 8% do total utilizado no mundo.

Os fertilizantes nitrogenados, como a ureia, são essenciais para a produtividade das lavouras. Sua produção depende diretamente do gás natural, um recurso abundante no Brasil e produzido pela própria Petrobras. A capacidade de produzir esses insumos internamente é fundamental não apenas para a sustentabilidade do agronegócio, mas também para a estabilidade dos preços dos alimentos e a manutenção da posição do Brasil como um dos maiores exportadores agrícolas do planeta.

O presidente Lula enfatizou a urgência dessa mudança de paradigma. “O Brasil é um país agrícola. O Brasil é o segundo maior produtor de alimentos. E o Brasil precisa de fertilizante. E o Brasil não pode ser importador de 90% do fertilizante que a nossa agricultura precisa. O Brasil precisa ser dono do seu nariz e produzir os fertilizantes”, afirmou em seu discurso, ressaltando a importância estratégica da autossuficiência.

Visão de Desenvolvimento Industrial e Críticas à Privatização

A retomada das fábricas de fertilizantes se alinha a uma visão mais ampla do governo de impulsionar a indústria nacional. O presidente Lula comparou a iniciativa a outros esforços para reativar setores estratégicos, como o naval, com a retomada de estaleiros. Ele criticou a lógica de governos anteriores que priorizaram a compra no exterior, alegando que seria mais barato, em detrimento do desenvolvimento interno.

Segundo Lula, essa abordagem levou à perda de conhecimento tecnológico, qualificação de mão de obra e geração de salários e desenvolvimento. “Produzir aqui poderia ser um pouco mais caro, é verdade. Mas a gente estaria trazendo para cá conhecimento tecnológico, a gente estaria trazendo para cá mão de obra qualificada, a gente estaria trazendo para cá pagamento de salário, a gente estaria trazendo desenvolvimento interno para que o Brasil pudesse competir”, argumentou.

O presidente também aproveitou a ocasião para criticar a privatização de ativos públicos da Petrobras em gestões passadas, citando especificamente a venda da BR Distribuidora. A antiga subsidiária da Petrobras, responsável pela comercialização de derivados de petróleo e hoje conhecida como Vibra Distribuidora, foi alienada entre 2019 e 2021, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Para Lula, essa venda prejudicou a capacidade da Petrobras de influenciar os preços dos combustíveis no mercado nacional.

“Você acha que eu me conformei algum dia com a venda da BR? Por que vender a BR? Ou seja, ao vender a BR, eles tiraram da Petrobras o direito de influir nos preços, na distribuição”, declarou o presidente, manifestando o desejo de ver a Petrobras novamente atuando no setor de distribuição. “Eu tenho certeza que se a gente tiver no ritmo que a gente dá, e se vocês tiverem a vontade política, a gente vai ter uma distribuidora de gasolina outra vez”, concluiu.

A estratégia da Petrobras de retomar a produção de fertilizantes representa um passo significativo para a soberania econômica do Brasil e para a resiliência do seu agronegócio. Acompanhe o Portal RJ99 para mais análises aprofundadas sobre os impactos dessas decisões na economia e na sociedade brasileira, com informação relevante, atual e contextualizada.

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