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Tradição em transformação: o cenário atual das quadrilhas juninas em Campina Grande

© Tomaz Silva/Agência Btasil
© Tomaz Silva/Agência Btasil

A evolução histórica das quadrilhas em Campina Grande

Campina Grande, na Paraíba, consolidou-se mundialmente como um dos principais palcos do São João no Brasil. No entanto, por trás das luzes e do brilho dos festivais, a estrutura das quadrilhas juninas passou por mudanças drásticas ao longo das décadas. Dados históricos indicam que a cidade já abrigou mais de 400 grupos dedicados a essa manifestação cultural. Atualmente, o cenário é composto por 14 agremiações ativas, revelando uma profissionalização que alterou a dinâmica desses coletivos.

Este diagnóstico é parte da pesquisa As Quadrilhas Juninas do Brasil, realizada pela Quaest em parceria com o Youtube. O levantamento, que ouviu diversos atores do movimento entre os dias 8 e 21 de maio, buscou entender o ecossistema junino em pilares como gestão, financiamento, impacto social e o uso de plataformas digitais para a valorização da cultura popular.

Protagonismo feminino e diversidade na gestão

Um dos pontos mais relevantes do estudo é o papel central das mulheres na manutenção das quadrilhas. Em Campina Grande, das 14 agremiações existentes, seis são presididas por mulheres. Contudo, a influência feminina vai muito além dos cargos de liderança: elas são as principais responsáveis pela sustentação financeira, administrativa e artística, atuando como coreógrafas, gestoras e idealizadoras dos figurinos complexos que marcam as apresentações.

Além da força feminina, o movimento junino se consolidou como um espaço de acolhimento para a comunidade LGBTQIAPN+. A presença de damas trans e a criação de categorias como a rainha da diversidade demonstram que as quadrilhas funcionam como ambientes de afirmação identitária. Essas agremiações oferecem suporte criativo e social, integrando maquiadores, diretores e dançarinos em uma rede de proteção e pertencimento.

O impacto social nas periferias

Para além do espetáculo, as quadrilhas exercem um papel fundamental na vida de jovens de bairros periféricos e de baixa renda. O estudo aponta que esses grupos funcionam como centros de convivência e disciplina, onde a identidade cultural é reforçada. Para muitos jovens, a participação na quadrilha é o primeiro contato com a organização coletiva e a expressão artística profissionalizada.

O ciclo de trabalho dessas agremiações é exaustivo e contínuo. Enquanto o público vê apenas as apresentações entre maio e julho, os grupos dedicam o restante do ano, de agosto a outubro, ao planejamento da temporada seguinte. Cada grupo mobiliza entre 100 e 300 pessoas, movimentando uma verdadeira indústria criativa que envolve costura, cenografia, trilha sonora e ensaios constantes.

Desafios financeiros e sustentabilidade

Apesar da relevância turística e econômica, o financiamento continua sendo o maior obstáculo para os quadrilheiros. A falta de verbas estáveis obriga os grupos a recorrerem a rifas comunitárias para custear figurinos luxuosos e viagens. Frequentemente, os repasses públicos sofrem atrasos e as premiações dos festivais não suprem os gastos operacionais.

Essa fragilidade financeira faz com que muitas lideranças terminem o ciclo junino endividadas, utilizando recursos próprios para manter a tradição viva. O levantamento completo, que detalha esses e outros desafios, pode ser consultado diretamente no site da Quaest. O Portal RJ99 segue acompanhando os desdobramentos da cultura popular brasileira e o impacto das políticas públicas no setor artístico, trazendo sempre informações apuradas e relevantes para o nosso leitor.

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