A mais de 1.100 metros de altitude, na Serra da Mantiqueira, a pequena cidade de Alagoa, no sul de Minas Gerais, tornou-se um polo de referência na produção de queijo artesanal. O que antes era uma tradição local, mantida por gerações, ganhou escala e visibilidade nacional graças a uma mudança estratégica no modelo de comercialização, liderada por um ex-servidor público que enxergou no digital a solução para um problema crônico do campo.
A transição do serviço público para o empreendedorismo rural
Osvaldo Filho, conhecido na região como Osvaldinho, trilhou um caminho profissional que passou pelo Direito e pelo serviço público municipal. Foi durante esse período que ele identificou a fragilidade na cadeia de valor do queijo artesanal: os produtores locais enfrentavam dificuldades severas para receber pelo produto, muitas vezes dependendo de pagamentos a longo prazo, como cheques para 40 dias. Incomodado com a falta de liquidez que sufocava o trabalho rural, ele decidiu intervir.
A iniciativa começou de forma modesta, com a venda de apenas três peças de queijo de um único produtor. A aposta era ousada para o cenário da época: utilizar a internet para conectar o produtor da Mantiqueira diretamente ao consumidor final. O que nasceu como uma tentativa de organizar a comercialização transformou-se em um negócio que hoje movimenta cerca de três toneladas de queijo por mês.
Impacto econômico e a força da produção local
O sucesso da plataforma não isolou o empreendedor, mas gerou um efeito multiplicador na economia de Alagoa. Em 2025, Osvaldinho expandiu suas atividades para a produção própria, mantendo, contudo, a parceria com oito produtores locais. Um exemplo desse crescimento é o produtor rural conhecido como Sô Márcio, que viu sua produção saltar de níveis mínimos para cerca de 100 quilos de queijo por dia, atendendo à crescente demanda nacional.
Atualmente, a cidade de Alagoa sustenta uma estrutura robusta, com 138 produtores artesanais que, juntos, produzem aproximadamente 90 toneladas de queijo mensalmente. Esse volume não apenas gera renda direta para as famílias, mas também solidificou a identidade da região, que se beneficia de um clima de altitude comparável ao de famosas regiões produtoras europeias, conferindo ao queijo um terroir único.
Reconhecimento internacional e o futuro da exportação
A qualidade do produto mineiro ultrapassou as fronteiras nacionais. Em 2017, a participação de produtores locais em um festival na França, voltado a especialistas do setor, marcou um ponto de virada. Desde então, diversos queijos de Alagoa acumularam prêmios internacionais, validando a técnica artesanal no mercado global. Para saber mais sobre a história e os produtos, acesse o site oficial da marca.
Osvaldinho define sua atuação atual como uma releitura moderna do papel dos antigos tropeiros mineiros, autodenominando-se um “tropeiro digital”. Com o mercado nacional consolidado, o horizonte agora é a exportação para a Europa. O Portal RJ99 segue acompanhando o desenvolvimento do agronegócio artesanal brasileiro e como histórias de inovação transformam economias regionais. Continue conosco para mais reportagens sobre empreendedorismo e cultura nacional.