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Alckmin defende reciprocidade e nega retaliação em resposta a tarifas dos EUA

Alckmin defende reciprocidade e nega retaliação em resposta a tarifas dos EUA
© José Cruz/Agência Brasil

O vice-presidente Geraldo Alckmin esclareceu nesta terça-feira (21) que a Lei da Reciprocidade, instrumento legal brasileiro, não deve ser interpretada como uma medida de retaliação contra os Estados Unidos. Segundo ele, a iniciativa visa corrigir uma situação de injustiça percebida pelo governo brasileiro diante das novas tarifas impostas por Washington, e não um movimento de “olho por olho” que poderia prejudicar ambos os lados.

A declaração de Alckmin, feita após uma reunião com empresários dos setores mais afetados pelo recente “tarifaço” do governo de Donald Trump, busca acalmar as preocupações de associações empresariais sobre possíveis retaliações comerciais por parte do Brasil. A postura do governo brasileiro é de buscar uma solução institucional e estratégica para proteger a economia nacional.

Reciprocidade como resposta estratégica

Alckmin enfatizou a distinção entre reciprocidade e retaliação, afirmando que a primeira é uma busca por equilíbrio. “A ideia não é retaliação. Diz que olho por olho pode acontecer de os dois ficarem cegos. A reciprocidade é: nós estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso”, declarou o vice-presidente. Essa abordagem reflete o desejo de proteger os interesses nacionais sem escalar uma guerra comercial.

A Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso no ano passado, confere ao Executivo instrumentos para uma resposta formal e legalmente embasada. O vice-presidente destacou que qualquer ação será precedida por trâmites legais rigorosos, incluindo consultas e audiências públicas, garantindo transparência e legitimidade ao processo.

Plano de apoio e diversificação de mercados

Em conjunto com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, Alckmin detalhou um pacote de apoio aos setores exportadores brasileiros. A resposta à sobretaxa americana está estruturada em três eixos principais: suporte financeiro às empresas, diversificação de mercados e um diálogo contínuo com os setores produtivos para dimensionar os impactos e ajustar as estratégias.

Entre as medidas de apoio financeiro em estudo, destaca-se a oferta de crédito por meio do programa Brasil Soberano, destinado a capital de giro e investimentos para as empresas atingidas. O governo também avalia flexibilizar temporariamente as regras do regime de drawback, um mecanismo que isenta, suspende ou restitui tributos sobre insumos importados para a produção de bens a serem exportados. A intenção é conceder mais prazo para que exportadores que perderem mercado nos Estados Unidos possam cumprir seus compromissos de exportação sem perder os benefícios tributários. Além disso, discute-se a possibilidade de ajustar exigências relacionadas à manutenção de empregos para os setores que receberem apoio emergencial.

Márcio Elias Rosa reforçou o compromisso do governo em amparar as empresas: “O fato de ser injusta, descabida e indevida não significa que o governo brasileiro não vá adotar todas as medidas para primeiro socorrer quem precisa. O governo brasileiro tem que olhar para os seus setores e tomar as medidas capazes de, no mínimo, amenizar o dano, o custo”.

Paralelamente, a ApexBrasil, agência de promoção de exportações, intensificará a busca por novos destinos para os produtos brasileiros. Mercados como Índia, México, Singapura, Japão e países do Sudeste Asiático são prioritários. O avanço nas negociações de acordos comerciais com a União Europeia, a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e Singapura, no âmbito do Mercosul, também é visto como crucial para reduzir a dependência do mercado estadunidense e fortalecer a presença brasileira em outras regiões, especialmente para segmentos industriais de maior valor agregado.

Impacto das tarifas e setores mais afetados

A medida imposta pelos Estados Unidos prevê uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com a possibilidade de um acréscimo de mais 12,5% em determinadas situações. Essa sobretaxa pode atingir aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado americano, o que equivale a cerca de US$ 7,4 bilhões.

Os segmentos mais expostos a essas tarifas incluem:

  • Eletroeletrônicos;
  • Máquinas e equipamentos;
  • Autopeças;
  • Calçados;
  • Outros produtos industriais exportados aos Estados Unidos.

O mercado estadunidense é o principal destino das exportações brasileiras de eletroeletrônicos e responde por cerca de um quarto das vendas externas do setor de máquinas e equipamentos, o que sublinha a vulnerabilidade desses setores à nova política tarifária.

Cronograma e próximos passos diplomáticos

O governo brasileiro trabalha com um calendário apertado para definir e implementar suas medidas de resposta. Na próxima sexta-feira, é aguardada uma decisão dos Estados Unidos sobre a eventual aplicação cumulativa de mais 12,5% de tarifa sobre produtos brasileiros, decorrente de acusações de trabalho forçado. Já em 29 de julho, a sobretaxa de 25% entrará em vigor para mercadorias que já estão em trânsito para o mercado americano.

Até essa data, o Ministério do Desenvolvimento pretende concluir uma série de reuniões com representantes dos setores de plásticos, máquinas, veículos, autopeças, borracha e calçados. O objetivo é consolidar um diagnóstico preciso dos impactos e finalizar o pacote de apoio. Além disso, está prevista uma missão oficial à Índia, visando ampliar as oportunidades comerciais e explorar novos mercados para os fabricantes brasileiros de máquinas e equipamentos, reforçando a estratégia de diversificação. Para mais informações sobre comércio exterior e economia, acompanhe a Agência Brasil.

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