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Redução da Selic em 0,25% é insuficiente, avaliam indústria e trabalhadores

© José Cruz/Agência Brasil
© José Cruz/Agência Brasil

A recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de reduzir a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano, foi recebida com ceticismo por importantes entidades representativas do setor produtivo e dos trabalhadores brasileiros. Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Central Única dos Trabalhadores (CUT) consideraram o corte insuficiente para reverter o atual quadro de estagnação econômica e atender às necessidades urgentes do país.

O anúncio, feito nesta quarta-feira (17), marca um movimento do BC para flexibilizar a política monetária, mas a magnitude da redução não convenceu os principais agentes econômicos e sociais, que clamam por medidas mais contundentes para reaquecer o investimento, o consumo e a geração de empregos.

O Anúncio do Copom e a Nova Taxa Selic

O Copom, órgão responsável por definir a taxa Selic, optou por um corte modesto após um período de manutenção dos juros em patamares elevados. A Selic é o principal instrumento de política monetária do Banco Central para controlar a inflação e influencia diretamente todas as taxas de juros do país, desde empréstimos bancários até financiamentos e investimentos. Uma Selic alta encarece o crédito, desestimula o consumo e o investimento, mas visa conter a escalada de preços. No entanto, o desafio é equilibrar o controle inflacionário com a necessidade de crescimento econômico.

A expectativa de muitos setores era por uma redução mais expressiva, dada a percepção de que a economia brasileira necessita de um impulso maior para sair da inércia. A decisão do Copom, embora na direção de um afrouxamento monetário, foi vista como cautelosa demais diante do cenário.

A Visão da Indústria: CNI e a Asfixia Financeira

Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a redução de 0,25% na Selic é claramente insuficiente para aliviar a “asfixia financeira” que atinge empresas e famílias. O presidente da CNI, Ricardo Alban, enfatizou que, enquanto os juros reais permanecerem em níveis tão elevados, o capital especulativo continuará sendo beneficiado em detrimento dos investimentos produtivos.

“Enquanto os juros reais continuarem tão elevados, beneficiando diretamente o capital especulativo, o custo do crédito vai seguir inviabilizando os planos de produção e expansão da indústria”, afirmou Alban. Ele acrescentou que a medida é ineficaz para aliviar o orçamento de famílias, empresas e do próprio governo, que seguem sobrecarregados pelo serviço da dívida, o que adia a retomada do consumo e do investimento e dificulta a superação da inadimplência.

A CNI ainda avalia que o cenário internacional, com o provável fim do conflito entre Estados Unidos e Irã e a consequente queda no preço do petróleo, criaria um ambiente mais favorável para o Banco Central intensificar o ciclo de cortes da Selic nas próximas reuniões. A diminuição da pressão sobre os custos das cadeias produtivas globais, segundo a entidade, abriria espaço para uma flexibilização monetária mais arrojada.

A Voz dos Trabalhadores: CUT e o Rentismo

A Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maior central sindical do país, também criticou duramente a redução, classificando-a como “tímida” e incapaz de atender às “necessidades urgentes do país e do povo brasileiro”. A entidade argumenta que a política monetária do Banco Central ignora os sinais positivos da economia nacional e o alívio no cenário internacional, como a recente queda no preço do petróleo.

Em comunicado, a CUT declarou que “manter os juros nesse patamar absurdo continua sufocando o setor produtivo, encarecendo o crédito e penalizando diretamente a classe trabalhadora, que segue pagando a conta da lógica do rentismo”. A central sindical reforçou que a autonomia do Banco Central, nesse modelo, expõe limites e perigos, mantendo o país “refém da especulação financeira”.

Para a CUT, as taxas de juros reais elevadas drenam recursos públicos que deveriam ser destinados a áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura, desviando-os para o pagamento da dívida com grandes detentores de capital. A entidade defende que o desenvolvimento nacional e a geração de empregos de qualidade exigem um corte “contundente” da taxa de juros, e não apenas uma “concessão ao mercado”.

Construção Civil: Positivo, mas com Ressalvas

Em um tom um pouco mais moderado, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) considerou a redução da taxa Selic como um movimento positivo. No entanto, a entidade ressaltou a necessidade de que esse processo tenha continuidade. Segundo a CBIC, o atual nível dos juros ainda impõe desafios significativos à atividade econômica e à retomada dos investimentos no setor.

“A continuidade do processo de flexibilização monetária é uma sinalização positiva para a economia. No entanto, a Selic ainda permanece em um patamar restritivo, o que encarece o crédito, adia decisões de investimento e dificulta um crescimento econômico mais consistente”, afirmou a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos. A visão da construção civil, portanto, alinha-se à demanda por uma política monetária mais agressiva para impulsionar a recuperação.

O debate em torno da taxa Selic e sua influência na economia brasileira continua intenso, com setores produtivos e trabalhadores unindo-se na crítica a uma política monetária que, para eles, ainda não reflete a urgência de um crescimento robusto e inclusivo. Para acompanhar os próximos desdobramentos dessa importante discussão e outras notícias relevantes, continue conectado ao Portal RJ99, seu portal multitemático com foco em informação de qualidade e contextualizada.

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