Profissionais da imprensa, estudantes, pesquisadores e representantes da radiodifusão pública brasileira se reuniram nesta quinta-feira (21) para o segundo dia do 7º Simpósio Nacional do Rádio. O evento, promovido pela EBC (Empresa Brasil de Comunicação) em parceria com o Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Intercom, acontece no histórico Palácio Gustavo Capanema, localizado no centro da capital fluminense. Com o tema central “Rádio Nacional: 90 anos, memória, inovação e futuros da mídia sonora”, o encontro mergulha nos desafios e oportunidades que moldam o panorama do rádio no Brasil.
As discussões do segundo dia do simpósio focaram em dois pilares essenciais para a evolução e a relevância contínua do meio: a inserção do rádio no universo digital e a crucial importância histórica dos acervos. Estes registros sonoros são fundamentais para capturar e preservar as produções radiofônicas, garantindo que a rica história do rádio brasileiro não se perca no tempo, mas seja acessível para futuras gerações e pesquisas.
O Rádio na Era Digital: Adaptando-se e Inovando
A transição para o universo digital representa tanto um desafio quanto uma vasta gama de oportunidades para o rádio. Longe de ser um mero canal de transmissão, o rádio hoje se reinventa através de plataformas de streaming, podcasts e interações em redes sociais, expandindo seu alcance e diversificando suas formas de consumo. O simpósio aborda como as emissoras podem utilizar essas novas ferramentas para manter a relevância, atrair novos públicos e continuar a desempenhar seu papel informativo e cultural em um cenário midiático em constante transformação.
A discussão sobre o rádio no universo digital não se limita apenas à tecnologia, mas também à linguagem e ao formato. A agilidade da internet permite uma comunicação mais direta e participativa, exigindo que os profissionais do rádio pensem em estratégias que integrem o tradicional com o inovador, sem perder a essência que faz do rádio um meio tão próximo e confiável para milhões de brasileiros.
Acervos Históricos: A Memória Sonora do Brasil
A preservação dos acervos é um tema de vital importância, especialmente em um país com a rica trajetória radiofônica do Brasil. Os registros sonoros são mais do que simples gravações; são cápsulas do tempo que guardam vozes, músicas, notícias e momentos que definiram épocas, refletindo a cultura e a sociedade brasileira ao longo de décadas. A EBC e o MIS (Museu da Imagem e do Som) desempenham um papel crucial na salvaguarda desse patrimônio imaterial.
A gerente de acervo e pesquisa da EBC, Maria Carnevale, enfatiza que a tecnologia deve ser vista como uma aliada nesse processo. “A tecnologia tem que ser trazida para o trabalho, não ser vista como vilã”, explica Carnevale. No entanto, ela ressalta que não há “mágica”, e que a preservação exige “esforço humano, tem que pensar, saber usar e corrigir… ter atenção no processo de correção. E mais do que isso, é sempre um trabalho de formiguinha”. Essa visão destaca a necessidade de um trabalho meticuloso e contínuo, onde a ferramenta tecnológica potencializa, mas não substitui, a dedicação humana.
Inteligência Artificial e a Responsabilidade na Preservação
A inteligência artificial (IA) surge como uma ferramenta promissora para a gestão e preservação de vastos acervos. César Miranda Ribeiro, presidente da Fundação Museu da Imagem e do Som, destaca a contribuição da IA para o trabalho da instituição. Ele menciona a criação de um protocolo de uso da inteligência artificial dentro do museu, que já resultou na produção de mais de 400 livros, evidenciando o potencial da ferramenta quando utilizada de forma estratégica.
Ribeiro sublinha a importância da responsabilidade no uso da IA: “Ela não veio para matar a nossa criatividade, para fazer por nós. Ela veio, sim, para ser uma ferramenta de uso. E isso a gente tem a responsabilidade interna de fazer com que a criação seja própria”. Essa perspectiva é fundamental para garantir que a IA seja empregada de maneira ética e eficaz, auxiliando na catalogação, digitalização e restauração de materiais, ao mesmo tempo em que se preserva a autenticidade e a autoria do conteúdo.
O Legado da Rádio Nacional e o Futuro da Mídia Sonora
O MIS é o guardião do acervo da Rádio Nacional, uma das mais emblemáticas emissoras do Brasil, que celebra 90 anos de história. Este acervo monumental reúne mais de 53 mil itens, que incluem partituras originais, programas sonoros completos, documentos históricos, fotografias raras, registros de auditórios lotados e imagens de grandes artistas e radialistas que marcaram a era de ouro do rádio brasileiro. A preservação deste material é vital para entender a evolução da comunicação e da cultura no país.
As discussões no 7º Simpósio Nacional do Rádio, ao conectar a rica memória da Rádio Nacional com as inovações tecnológicas e os desafios do futuro digital, reforçam o compromisso com a valorização da mídia sonora. O evento serve como um fórum essencial para debater como o rádio pode continuar a ser um veículo de informação, entretenimento e cultura, adaptando-se sem perder sua identidade. Para a sociedade, isso significa a garantia de acesso contínuo a um meio que sempre esteve presente na vida dos brasileiros, agora com novas possibilidades de interação e alcance.
Para continuar acompanhando as principais notícias e análises sobre o universo da comunicação, cultura e tecnologia, acesse o Portal RJ99. Nosso compromisso é trazer informação relevante, atual e contextualizada, com a profundidade que você merece. Saiba mais sobre a EBC.