
A turbulência administrativa que assola o Clube de Regatas Vasco da Gama ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira, 8 de julho de 2026. A Justiça do Rio de Janeiro rejeitou o pedido de reconsideração apresentado pelo clube associativo e decidiu manter a intervenção judicial na Sociedade Anônima do Futebol (SAF) vascaína. A decisão, proferida pela juíza Simone Gastesi Chevrand, da 6ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), também oficializou a nomeação do advogado Athos de Andrade Figueira Neves como o novo interventor da empresa.
Com a manutenção da medida, o presidente Pedrinho permanece afastado do comando da Vasco SAF. O novo interventor assume a posição após a renúncia de Samantha Mendes Longo, que havia sido a primeira a ocupar o cargo. A magistrada fez questão de esclarecer que a intervenção se restringe a aspectos administrativos cruciais, como governança, prestação de contas e a circulação de informações entre os órgãos da companhia, sem afetar diretamente as operações do futebol.
A intervenção na Vasco SAF: escopo e razões da decisão
A juíza Simone Gastesi Chevrand enfatizou que a intervenção é de caráter temporário e não representa um obstáculo para as negociações em andamento para a venda da SAF. Atualmente, o clube está em tratativas com o empresário Marcos Lamacchia. A decisão judicial busca, acima de tudo, garantir a transparência da administração, um ponto crítico para uma entidade que se encontra em recuperação judicial.
Em sua deliberação, a magistrada ressaltou que a medida não interfere na atividade-fim do Clube de Regatas Vasco da Gama, ou seja, no esporte. “Um primeiro aspecto que aqui se coloca com máximo destaque, sustentado na peça e reiterado em despacho realizado pelo patrono do CRVG com esta magistrada, é que a intervenção judicial determinada não interfere na atividade-fim do Clube de Regatas Vasco da Gama”, escreveu a juíza, buscando tranquilizar sobre o impacto no campo.
Crise e desdobramentos: um histórico de instabilidade
A intervenção na Vasco SAF não é um fato isolado, mas o ápice de uma série de eventos que têm abalado a estrutura do clube. No fim de junho, a juíza Caroline Fonseca já havia determinado o afastamento do presidente Pedrinho e de outros membros do conselho de administração da SAF. Essa decisão inicial foi motivada por irregularidades apontadas pelo Conselho Fiscal da companhia.
Após o primeiro afastamento, a advogada Samantha Longo foi nomeada interventora. No entanto, a crise se aprofundou rapidamente. Diretores do Vasco foram exonerados e conselheiros fiscais renunciaram, evidenciando um ambiente de profunda instabilidade. A situação se agravou ainda mais na semana passada, quando Samantha Longo deixou o cargo, alegando ter sofrido ameaças de supostos integrantes de uma torcida organizada. Em um sinal da complexidade jurídica e administrativa, os escritórios Bumachar, FCDG e Coelho, Murgel e Atherino Advogados também abandonaram a defesa do clube, citando divergências na estratégia jurídica adotada pela gestão.
Próximos passos e a busca por estabilidade
Apesar da decisão judicial desta quarta-feira, o Cruz-Maltino não se deu por vencido. Na última segunda-feira, 6 de julho, o clube associativo apresentou um agravo de instrumento contra a intervenção determinada no mês passado. O recurso foi distribuído ao desembargador Cesar Felipe Cury e aguarda apreciação. Este movimento indica que a batalha judicial pela autonomia da SAF está longe de terminar, mantendo um cenário de incertezas para o futuro administrativo do Vasco.
A comunidade vascaína e o cenário do futebol brasileiro acompanham de perto os desdobramentos dessa crise. A manutenção da intervenção na Vasco SAF, embora focada em aspectos administrativos, reflete a necessidade de transparência e governança em um clube de grande porte e com uma torcida apaixonada. A expectativa é que as medidas judiciais contribuam para a estabilização da gestão, permitindo que o foco principal retorne ao desempenho esportivo e ao futuro do Gigante da Colina.
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