O atacante Rony, atualmente defendendo as cores do Santos, move uma ação trabalhista de grande repercussão contra o Atlético-MG. O jogador, que teve passagem pelo clube mineiro, reivindica cerca de R$ 9,5 milhões em direitos que, segundo ele, não foram devidamente quitados ou reconhecidos durante seu período no Galo e após sua rescisão contratual. A notícia, inicialmente divulgada por André Hernan da ESPN, coloca em evidência as complexidades das relações trabalhistas no futebol brasileiro.
A ação foi protocolada na 27ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte e o valor exato da causa é de R$ 9.534.076,40. Este montante reflete uma série de reivindicações que o atleta considera cruciais para a garantia de seus direitos, levantando discussões importantes sobre a interpretação e aplicação da legislação trabalhista no esporte de alta performance.
Entenda os detalhes da ação trabalhista de Rony
Os pedidos apresentados por Rony na Justiça do Trabalho são multifacetados e tocam em pontos sensíveis das negociações e contratos no futebol. Entre as principais reivindicações, destacam-se:
- Integração dos valores de direitos de imagem ao salário: Uma prática comum no futebol brasileiro é o pagamento de parte da remuneração como direitos de imagem, o que pode gerar discussões sobre a natureza desses valores e sua inclusão na base de cálculo de verbas trabalhistas. Rony busca que esses valores sejam considerados parte integrante de seu salário para todos os efeitos legais.
- Pagamento da multa prevista no artigo 477 da CLT: Este artigo da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) prevê uma multa em caso de atraso no pagamento das verbas rescisórias. O atacante contesta o parcelamento de suas verbas rescisórias, o que, em sua interpretação, configuraria um descumprimento que justificaria a aplicação da multa.
- Contestação da rescisão do contrato de luvas: O contrato de luvas, que se refere a um bônus pago ao jogador no momento da assinatura do contrato, é outro ponto de discórdia. Rony questiona a forma como a rescisão deste contrato foi conduzida pelo Atlético-MG.
Esses pontos são frequentemente objeto de litígios na Justiça do Trabalho envolvendo atletas e clubes, e a decisão neste caso pode servir de precedente ou reforçar entendimentos sobre a matéria.
A trajetória de Rony no Atlético-MG e a relação com a torcida
Durante sua passagem pelo Atlético-MG, Rony participou de 65 partidas, marcando 14 gols e contribuindo com seis assistências. Números que, embora não sejam insignificantes, não foram suficientes para evitar um desgaste na relação com a torcida ao longo da temporada. O futebol, com sua paixão e exigência por resultados imediatos, muitas vezes coloca os atletas sob intensa pressão, e o desempenho em campo pode influenciar diretamente a percepção dos torcedores.
Meses após o período de atrito, o Atlético-MG negociou o atacante com o Santos, onde Rony atua desde janeiro de 2026. A transferência marcou o encerramento de sua trajetória no clube mineiro, mas não o fim das questões contratuais e trabalhistas, que agora se desdobram no âmbito judicial. A saída de um jogador, mesmo que por negociação, nem sempre encerra todos os vínculos e obrigações entre as partes, como demonstra o atual processo.
Implicações legais e financeiras para os clubes
A ação de Rony contra o Atlético-MG ressalta a importância da conformidade legal e da clareza nos contratos de trabalho no futebol. Para os clubes, processos dessa natureza representam não apenas um risco financeiro significativo, mas também um impacto na imagem e na gestão. Valores milionários como os cobrados por Rony podem desequilibrar orçamentos e exigir provisões financeiras consideráveis, especialmente em um cenário econômico desafiador para muitas equipes.
A discussão sobre direitos de imagem versus salário, por exemplo, é um tema recorrente que afeta a base de cálculo de férias, 13º salário, FGTS e outras verbas. A jurisprudência trabalhista tem evoluído para garantir que a remuneração do atleta seja integralmente reconhecida, independentemente da nomenclatura utilizada nos contratos. Este caso pode reforçar a necessidade de os clubes revisarem suas práticas contratuais para evitar futuros litígios.
O Portal RJ99 seguirá acompanhando os desdobramentos deste caso, que promete ser um marco na discussão sobre os direitos de atletas e as responsabilidades dos clubes no cenário do futebol brasileiro. Para mais informações sobre este e outros temas do esporte e do noticiário nacional, continue acompanhando nossas atualizações.