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Personal organizer: de nicho a negócio lucrativo que transforma lares e vidas no Brasil

Arquivo Pessoal/Reprodução
Arquivo Pessoal/Reprodução

A visão de um guarda-roupa impecavelmente arrumado por cores e tipos de peças, ou uma cozinha onde cada utensílio tem seu lugar lógico, já não é mais um privilégio restrito a celebridades. O serviço de personal organizer, ou organizadora pessoal, emergiu como uma profissão em plena ascensão no Brasil, transformando a rotina de milhares de pessoas e se consolidando como um negócio que pode gerar rendimentos significativos, chegando a até R$ 20 mil mensais em alguns casos.

Essas profissionais vão muito além da estética, focando na funcionalidade, otimização de espaço e, principalmente, no bem-estar dos clientes. O trabalho é profundamente personalizado, adaptando-se às necessidades e ao perfil de cada indivíduo e ambiente. A remuneração, embora atrativa, varia conforme a experiência da profissional, a região de atuação e a complexidade dos projetos.

A Ascensão do Serviço de Organização Profissional

A atuação de uma personal organizer transcende a simples arrumação. Conforme explica Ana Alarcon, presidente da Associação Nacional de Profissionais de Organização e Produtividade (ANPOP), o ponto de partida é sempre a compreensão da rotina e das necessidades específicas de cada cliente. “Não existe organização padrão, porque cada casa e cada pessoa funcionam de um jeito”, afirma Alarcon, sublinhando a natureza sob medida do serviço.

O mercado é vasto e diversificado. Embora a maior parte das profissionais atue em residências, organizando desde um único cômodo até imóveis inteiros, há nichos crescentes. Isso inclui a organização de closets, a assessoria em processos de mudança e até mesmo ambientes corporativos, como escritórios, consultórios e lojas. A profissão, que começou a se estruturar nos Estados Unidos na década de 1980, chegou ao Brasil por volta dos anos 2000 e ganhou força nos últimos 15 anos, consolidando-se como uma resposta moderna à complexidade da vida contemporânea.

O Impulso da Pandemia e a Diversidade de Clientes

O boom mais recente e significativo da profissão de personal organizer ocorreu durante a pandemia de COVID-19. Com a casa se tornando o epicentro de trabalho, estudo e convivência, a desorganização dos ambientes e das rotinas domésticas ficou evidente para muitos. Paralelamente, a popularização de vídeos de “antes e depois” em plataformas como Instagram e TikTok impulsionou o interesse pelo serviço, servindo como catalisador para a entrada de muitos profissionais no setor.

Atualmente, a demanda vem de um espectro variado de clientes. Famílias com jornadas de trabalho intensas, profissionais em regime de home office, pessoas em processo de mudança, indivíduos que acumulam objetos ou que simplesmente não conseguem manter uma rotina funcional por conta própria são os principais públicos. Em momentos de transição e delicadeza, como divórcios ou luto, a reorganização da casa também se torna um apoio fundamental na reorganização da vida. Para ingressar na área, não há exigência de formação superior específica, com cursos e treinamentos práticos sendo a via mais comum.

De Empregada a Empreendedora: Histórias de Sucesso no Setor

A transição do regime CLT para o empreendedorismo é uma narrativa comum entre as personal organizers, muitas vezes impulsionada pela busca por maior autonomia e realização profissional. Mulheres sobrecarregadas pela rotina corporativa, mas com uma paixão inata pela organização, encontram na profissão uma forma de aliar talento e negócio.

Um exemplo notável é Cora Fernandes, de 38 anos, que atua desde o final de 2016. Após anos em uma concessionária, onde chegou a coordenadora de atendimento, Cora buscou uma nova direção. Mãe de três filhos e com facilidade para organizar a casa, ela se profissionalizou após a sugestão de uma colega. Começou com indicações e redes sociais, e com o tempo, consolidou sua marca, atendendo celebridades como Fernanda Souza e Sheron Menezzes. Hoje, formada em marketing, Cora alia organização, produção de conteúdo e parcerias, alcançando um faturamento que pode chegar a R$ 15 mil mensais em períodos de alta demanda. Ela ressalta a importância de integrar o marketing para além dos atendimentos diretos, dada sua expressiva presença online.

Outra trajetória inspiradora é a de Josilene Maria Martins, a Josi Martins, de 37 anos, com 11 anos de experiência. Seu primeiro contato com a organização foi no setor de marketing de uma indústria de organizadores. Percebendo o crescimento do uso dos produtos por profissionais, Josi começou a atender clientes à noite e nos fins de semana para complementar a renda. Em apenas três meses, seu faturamento dobrou o salário CLT, levando-a a se dedicar integralmente à nova carreira. Josi investiu em especializações como organização pós-mudança e marcenaria, o que a levou a trabalhar com arquitetos e projetos de alto padrão. Atualmente, ela lidera uma equipe, atua em diversos estados e diversificou sua atuação com cursos, mentorias e venda de produtos, atingindo um faturamento mensal de cerca de R$ 20 mil.

A história de Isabela Sekulic, de 29 anos, começou durante a pandemia. Em um período de incertezas profissionais, ela retomou o hobby de organizar o guarda-roupas. Ao compartilhar seus vídeos nas redes sociais, a viralização foi imediata. Incentivada pela família, Isabela fez um curso online e, ainda durante a formação, conseguiu seu primeiro trabalho remunerado. Seu método visual, inspirado no estilo norte-americano “The Home Edit”, com organização por cores – o “método arco-íris” – tornou-se sua marca registrada. Com a visibilidade, ela ampliou atendimentos, formou equipe e criou um curso profissionalizante. Hoje, Isabela vive exclusivamente da profissão, faturando em média R$ 10 mil por mês apenas com projetos de organização, valor que cresce com a venda de organizadores e seu curso online, que atrai alunas de todo o país. Sua motivação central continua sendo transformar o caos em funcionalidade e beleza.

Desafios e Perspectivas: A Profissão em Construção

Apesar do crescimento e da profissionalização, o setor de personal organizer ainda não é regulamentado no Brasil. No entanto, a atividade segue um processo bem definido, que começa com a análise da rotina e das necessidades do cliente, passando por etapas como triagem, categorização, redefinição de fluxo e implantação de sistemas que garantam a manutenção da organização a longo prazo. A própria ANPOP define a atividade como a criação de sistemas personalizados que promovem bem-estar físico e psicológico.

“No nosso trabalho, é essencial respeitar o estilo de vida e a individualidade de cada cliente. Cada casa tem sua história e cada pessoa, necessidades únicas”, reitera Ana Alarcon. Essa abordagem holística é o que diferencia o serviço, transformando não apenas espaços, mas também a qualidade de vida das pessoas. Com a crescente valorização da organização e do bem-estar, a profissão de personal organizer continua a se expandir, oferecendo oportunidades para quem busca empreender e fazer a diferença na vida de outros.

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