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Em fórum, Lula liga educação à soberania e consciência de Brasil e África

© Marcelo Camargo/Agência Brasil
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou, nesta segunda-feira (25), a centralidade da educação como um instrumento fundamental para a formação da consciência crítica e para a superação das profundas desigualdades sociais. A declaração, feita durante a abertura do 1º Fórum de Reitores Brasil-África, em Brasília, ecoa uma visão que, segundo o presidente, é frequentemente vista como uma ameaça por setores da extrema direita global.

O evento, que reúne líderes de universidades brasileiras e africanas mobilizadas pela Association of African Universities (AAU) no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), marca um passo importante no fortalecimento das relações Sul-Sul, com foco na cooperação acadêmica e científica. A iniciativa busca consolidar a educação superior como um eixo estratégico na relação bilateral entre o Brasil e os países do continente africano, promovendo uma plataforma robusta para a integração e o desenvolvimento mútuo.

Educação: ferramenta contra desigualdades e extremismos

Em seu discurso, o presidente Lula destacou que a educação transcende a mera transmissão de conhecimento, configurando-se como um motor para a autonomia e a emancipação dos povos. Ele ressaltou que a capacidade de desenvolver um pensamento crítico é essencial para que as pessoas compreendam a realidade em que vivem e lutem por um futuro mais justo.

Essa perspectiva, argumentou Lula, é o motivo pelo qual a extrema direita, em diversas partes do mundo, teme a autonomia universitária e busca silenciar professores e estudantes. A negação da ciência, a censura às artes e a tentativa de transformar as salas de aula em instrumentos de dominação são, para o presidente, manifestações desse temor à consciência que a educação pode gerar.

O pensamento crítico, segundo o presidente, está intrinsecamente ligado à luta anticolonial e ao combate a todas as formas de discriminação, como o racismo, a misoginia e a xenofobia. Nesse contexto, as universidades são vistas como bastiões de resistência e espaços vitais para a promoção da diversidade e do debate democrático.

Cooperação em Inteligência Artificial e Soberania Digital

Um dos pontos cruciais abordados por Lula foi a relevância da educação para o avanço científico e tecnológico, com ênfase na Inteligência Artificial (IA). O presidente alertou para o risco do que chamou de “colonialismo digital”, onde algoritmos, concentrados nas mãos de poucos países e empresas, podem se tornar instrumentos de dominação.

A falta de investimento em infraestrutura digital e o desenvolvimento de IA própria podem perpetuar carências crônicas em setores estratégicos como alta tecnologia, saúde, agricultura e educação básica. Para combater essa ameaça, Lula defendeu que os modelos de linguagem da IA sejam construídos também nas línguas dos povos africanos, garantindo inclusão e soberania cultural.

Nesse sentido, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial já prevê linhas de financiamento específicas para a cooperação com a África e a América Latina. São US$ 20 milhões destinados a projetos conjuntos e US$ 10 milhões para o uso de infraestruturas de Inteligência Artificial brasileiras, visando fomentar a colaboração entre pesquisadores das regiões. Para mais detalhes sobre a visão do governo sobre IA, clique aqui.

Fortalecendo laços acadêmicos: Capes Move África

O secretário-geral da Associação de Universidades Africanas (AAU), Olusola Oyewle, reconheceu o apoio do Brasil às universidades africanas, que remonta ao primeiro mandato do presidente Lula. Ele destacou que essa parceria evoluiu de bolsas de estudo para uma colaboração mais ampla em pesquisa.

Oyewle enfatizou a necessidade de “descolonizar o currículo” e aprimorar as atividades de pesquisa dentro do próprio continente africano, ressaltando o papel fundamental de países como o Brasil nesse esforço. A cooperação é vista como essencial para que as instituições africanas possam desenvolver suas próprias capacidades e agendas de pesquisa, alinhadas às suas realidades e necessidades.

Durante o Fórum, foram formalizados acordos relacionados ao programa Capes Move África, que representa um investimento significativo de R$ 47,4 milhões. Este montante será destinado a viabilizar a vinda de 2,6 mil pós-graduandos do continente africano para o Brasil a partir de 2027. Do total, 1,6 mil bolsas serão para mestrado sanduíche e 1 mil para doutorado sanduíche, promovendo um intercâmbio acadêmico e cultural valioso.

Horizontes de Cooperação e Desenvolvimento

O 1º Fórum de Reitores Brasil-África não se limita apenas à formalização de acordos, mas também serve como um espaço para painéis temáticos, reuniões bilaterais, workshops e sessões focadas na construção de novas parcerias universitárias. A expectativa é que essas atividades aprofundem os laços e promovam novos acordos institucionais, programas de mobilidade estudantil e intercâmbio científico.

As áreas estratégicas a serem beneficiadas por essas parcerias são vastas, incluindo agricultura, energias renováveis, mineração, petróleo e gás, aeroespacial, inteligência artificial e ciências humanas. Atualmente, o Brasil já mantém 235 acordos de cooperação com instituições de educação superior em 38 países africanos, demonstrando um histórico robusto de engajamento.

Essas iniciativas reforçam o compromisso do Brasil com a cooperação Sul-Sul e a crença de que a educação é a chave para um desenvolvimento sustentável e soberano, tanto para o país quanto para o continente africano. O diálogo e a troca de conhecimentos são vistos como pilares para enfrentar os desafios globais e construir um futuro mais equitativo.

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