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Luto e reencontro: peça ‘Veneno’ no CCBB Rio explora a dor da perda de um filho

tância da obra. “A autora da peça Lot Vekemans é uma das dramaturgas contemporân
Reprodução Agência Brasil

A perda de um filho é uma das experiências mais dilacerantes que um ser humano pode enfrentar, um tipo de luto que desafia a ordem natural da vida e deixa marcas profundas. Essa dor intrínseca e complexa é o cerne da peça teatral “Veneno”, que está em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro, oferecendo ao público uma reflexão intensa e comovente sobre o tema. O espetáculo, que se despede dos palcos cariocas na próxima segunda-feira, convida à imersão em um universo de sentimentos que perpassam o sofrimento, a memória e a difícil arte de seguir em frente.

A montagem, que tem conquistado plateias por sua sensibilidade e profundidade, mergulha na história de um casal que é forçado a revisitar seu passado e suas feridas não cicatrizadas. Mais do que um drama sobre a morte, “Veneno” é um estudo sobre as diferentes formas de encarar a dor e a reconstrução da vida após um trauma tão avassalador, ressoando com a realidade de muitos que já enfrentaram ou conhecem o peso do luto.

A trama de “Veneno”: um reencontro doloroso e revelador

A narrativa de “Veneno” se desenrola a partir de um evento inesperado: uma carta que anuncia a necessidade de remover o corpo do filho do casal do cemitério, devido à contaminação do solo por veneno. Esse fato, dez anos após a morte da criança, força o reencontro dos pais, que haviam se afastado, e escancara as dores e os ressentimentos que ainda persistem. O palco se torna, então, um espaço para um diálogo comovente, onde a tragédia se mistura, por vezes, a momentos de humor sutil, revelando a complexidade das emoções humanas.

A peça explora como cada um dos pais lidou, à sua maneira, com o luto, expondo as divergências e as verdades íntimas que foram guardadas por uma década. É um mergulho na psicologia dos personagens, que, através de suas interações, revelam a resiliência e a fragilidade da alma humana diante da adversidade. A trama não busca respostas fáceis, mas sim a compreensão das nuances do sofrimento e da capacidade de superação.

A escolha de um texto profundo e premiado

A decisão de levar “Veneno” aos palcos partiu de uma cuidadosa pesquisa de dramaturgia, como explica o ator Alexandre Galindo, que também assina a direção de produção do espetáculo. “Eu sou um ator-produtor que pesquiso muita dramaturgia. Estou sempre lendo textos em busca de uma boa história para levar para os palcos. Quando eu me deparei com a peça Veneno, eu enxerguei ali um potencial muito grande, uma história na qual você tem duas pessoas lidando de maneiras completamente diferentes em relação ao luto e você consegue concordar com as duas”, destaca Galindo.

Para além da abordagem do luto, a peça toca em temas universais e profundos, como a relação do casal, as dinâmicas entre mãe e filho, e entre pai e filho. A dramaturgia é da aclamada holandesa Lot Vekemans, uma das mais importantes autoras contemporâneas da Europa, com mais de trinta anos de carreira no teatro. “Veneno” é um de seus trabalhos mais reconhecidos, tendo sido montada em mais de 30 países e se tornando o texto holandês mais encenado fora da Holanda até hoje. A obra foi premiada e, inclusive, adaptada para o cinema, com roteiro assinado pela própria Vekemans, atestando sua relevância e impacto cultural.

Desafios e recompensas da interpretação

A complexidade do texto de Lot Vekemans impôs desafios significativos aos atores. Alexandre Galindo, que no ano passado foi indicado ao Prêmio Shell, um dos mais tradicionais da cena teatral brasileira, pela sua atuação no espetáculo, compartilha a intensidade do processo. “A experiência de trabalhar esse texto, ela sempre foi muito desafiadora. Uma dramaturgia que você olha para ela e pensa: Será que eu vou dar conta?”, relata o ator, evidenciando a profundidade emocional exigida pela obra.

Durante os ensaios, a equipe se dedicou a “esgarçar bastante todas as emoções desses personagens” para encontrar a verdade cênica e criar uma “memória física” que permitisse a imersão total nos papéis. Apesar da dificuldade, Galindo descreve a experiência como “incrível, única e muito, mas muito prazerosa”, ressaltando a recompensa artística de dar vida a uma história tão potente.

A ressonância do espetáculo com o público

A repercussão de “Veneno” junto ao público tem sido notável, com a peça gerando forte comoção nas temporadas anteriores em São Paulo e nas diversas cidades por onde tem circulado. “O que a gente pode observar nas temporadas que já fizemos em São Paulo e nas viagens que a gente vem fazendo com a peça, é que as pessoas saem muito tocadas, muito emocionadas. Então, ela é uma história que realmente mexe com as pessoas”, afirma Galindo.

Essa ressonância demonstra a universalidade do tema do luto e a capacidade da arte de tocar em feridas coletivas e individuais, promovendo reflexão e catarse. O espetáculo oferece um espaço seguro para que o público se conecte com suas próprias experiências de perda e ressignificação, validando sentimentos e abrindo caminhos para o diálogo sobre um assunto muitas vezes evitado.

Não perca a chance de assistir a “Veneno” em suas últimas apresentações no CCBB Rio de Janeiro, com ingressos a partir de R$ 15. Para mais informações sobre horários e compra de ingressos, acesse o site oficial do CCBB Rio. Continue acompanhando o Portal RJ99 para ficar por dentro das principais notícias, eventos culturais e análises aprofundadas que impactam o Rio de Janeiro e o Brasil, sempre com informação relevante e contextualizada.

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